10.31.2025

AMAZÔNIA E CERRADO REGISTRAM queda de 11% no desmatamento

Segundo Marina Silva, dados mostram compromisso com desmatamento zero

O desmatamento na Amazônia e no Cerrado diminuiu no período de agosto de 2024 a julho de 2025, segundo dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Na Amazônia, a queda foi de 11,08% em relação ao período anterior, de agosto de 2023 a julho de 2024. Já no Cerrado, a queda foi de 11,49%. 

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (30), pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática (MMA).

Na Amazônia, os dados mostram que foram desmatados 5.796 km². Esta é a terceira menor taxa da série histórica, que começou a ser medida em 1988, e o terceiro ano consecutivo de redução.

Os estados que mais contribuíram com o desmatamento foram o Pará, Mato Grosso e Amazonas, que responderam, juntos, por 80% de todo o desmatamento na Amazônia Legal. 

O Tocantins registrou a maior queda proporcional, com 62%. A queda pode ser explicada porque o estado possui uma área de floresta menor que os outros integrantes da Amazônia Legal. O Amapá teve uma queda de 42%; Roraima apresentou queda de 37%. 

Em Rondônia, a redução foi de 33%.  O Acre registrou queda de 27%, consolidando uma tendência na região desde 2021. Já no Maranhão, a queda foi de 26%; e no Amazonas o percentual foi de 16,93%.

Ainda que exista uma queda do desmatamento, uma coisa que chama atenção é o incremento da área desmatada por degradação progressiva, com grandes incêndios florestais que chegam a levar a floresta ao colapso”, afirmou o coordenador do Programa BiomasBR do Inpe, Cláudio Almeida.

Ele destaca o aumento de 25,05% no desmatamento em Mato Grosso, estado bastante afetado por incêndios.

CERRADO

Em relação ao Cerrado, o desmatamento atingiu a taxa oficial de 7.235,27 km², o que equivale a uma queda de 11,49% em relação ao período de agosto de 2023 a julho de 2024. É o segundo ano consecutivo de redução, após cinco de alta.

Os dados do Prodes mostram que o maior percentual de desmatamento ocorreu na área do Matopiba – região de fronteira do agronegócio que abrange os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Juntos, eles responderam por 78% de toda a área desmatada no bioma.

Os maiores desmatadores foram o Maranhão, que registrou 28% de toda a área desmatada; Tocantins, com 21%; Piauí, com 19% e a Bahia, com 11%.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, disse que os dados mostram o compromisso do governo com a agenda ambiental de desmatamento zero até o ano de 2030.

A redução do desmatamento na Amazônia pelo terceiro ano consecutivo nesta gestão e no Cerrado pelo segundo ciclo seguido é a confirmação de que a agenda ambiental é prioritária e transversal no governo do presidente Lula. Isso é fundamental para que o país contribua ao enfrentamento à mudança do clima a nível global, o que beneficia diretamente a vida dos brasileiros e brasileiras, que já enfrentam, em diferentes medidas, os impactos crescentes do aquecimento global em forma de eventos extremos, por exemplo”, disse a ministra.

Segundo ela, combater o desmatamento e proteger o meio ambiente são condicionantes para que o Brasil alcance o desenvolvimento econômico em bases sustentáveis.

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou o avanço nos mecanismos de monitoramento como fundamentais para auxiliar as ações de prevenção e combate ao desmatamento.

Esses resultados não são obra do acaso. A excelência do Inpe e o monitoramento de precisão que realizamos são o alicerce que nos permite enxergar a realidade do nosso território e, a partir daí, fornecer subsídios às ações do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, nessa parceria que tem sido tão frutífera”, afirmou.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

10.30.2025

Deputado de DIREITA E EVANGÉLICO condena operação no RJ 'A FINALIDADE FOI EXECUTAR'

Parlamentar criticou ação a partir de denúncias recebidas de pessoas ligadas à Assembleia de Deus Ministério Missão de Vida

Após se reunir com moradores e lideranças comunitárias na Central Única das Favelas (CUFA) na quinta-feira (30), o deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ) afirmou ao ICL Notícias que há fortes indícios de execuções entre as 121 mortes provocadas pela megaoperação policial nos Complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro.

Na ocasião, o deputado Reimont Luiz Otoni Santa Barbara (PT-RJ) também informou que ele e outros oito parlamentares assinaram um ofício ao procurador-geral da República pedindo que seja avaliada a prisão do governador Cláudio Castro (PL) em decorrência da operação. Relatos, imagens e vídeos estão sendo reunidos para montar um dossiê e acionar mecanismos nacionais e internacionais de responsabilização.

Otoni de Paula explicou que seu discurso na tribuna da Câmara, feito na quarta-feira (29), teve como base denúncias recebidas de pessoas ligadas à sua igreja Assembleia de Deus Ministério Missão de Vida. Na ocasião, ele disse que estava falando enquanto pastor de direita e denunciou que quatro dos jovens assassinados na operação “nunca portaram fuzis”, mas estavam sendo contabilizados no pacote como se fossem “bandidos”.

Ao ICL Notícias, ele disse que as denúncias foram recebidas por duas pessoas ligadas à sua comunidade evangélica:

Pelo menos quatro pessoas que estavam entre os mortos, sendo contadas como traficantes, não eram traficantes, eram pessoas que nunca tiveram envolvimento com o crime organizado. E eu resolvi revelar esta denúncia na tribuna da Câmara Federal”, afirmou.

CONFIRA A DECLARAÇÃO DO DEPUTADO NA ÍNTEGRA

Otoni de Paula deu a declaração após visitar o território com a Comissão de Direitos Humanos da Câmara, da qual é vice-presidente, e ouvir relatos de moradores e lideranças comunitárias. A reunião ocorreu na Central Única das Favelas (Cufa), e contou com a presença das ministras Anielle Franco (Igualdade Racial) e Macaé Evaristo (Direitos Humanos), que também se emocionaram com os relatos dos familiares.

Nós testemunhamos [na reunião] o que os moradores começaram a nos relatar: pessoas decapitadas… pelo menos uma delas sem os dedos das mãos… pessoa amarrada com tiro na nuca, mostrando que houve execução”, contou.

Otoni ressaltou que a repressão ao crime não pode se transformar em execução sumária:

A sociedade é refém do criminoso, mas também se torna refém de uma polícia que não age dentro da lei. A lei não dá à polícia o direito de matar.”

O direito de executar não é um direito dado pela lei ao policial. (…) O que nós estamos percebendo é que esta foi uma operação de morte, de execução, cuja finalidade foi executar.”

Otoni de Paula afirmou que, independentemente de estar acompanhado de colegas de esquerda, progressistas ou não, é necessário reduzir o tom do debate e reconhecer que vidas foram ceifadas, incluindo quatro policiais e possíveis inocentes, cujas mortes serão investigadas, “assim como de marginais executados sem a devida troca de tiros”.

Ele ressaltou que, “apesar de quem planta desgraça colher desgraça, execuções no país não podem ser toleradas, mesmo que o governador tente assumir um papel de “Bukele” no Rio de Janeiro — em referência ao presidente de El Salvador, Nayib Bukele, conhecido por suas ações autoritárias no combate ao crime organizado.

QUEM ESTÁ FALANDO AQUI É O PASTOR”

O encontro ocorreu um dia depois de seu discurso na Câmara — que viralizou e foi publicado pelo ICL. Na tribuna, Otoni denunciou o racismo estrutural da operação:

Preto, correndo em dia de operação na favela, é bandido. Preto, com chinela havaiana, sem camisa, pode ser trabalhador. Correu é bandido.”

Ele também criticou a comemoração da letalidade policial:

É fácil, senhoras e senhores, para quem tá no asfalto e não conhece a realidade da favela, dizer ‘Que bom! Matou!’. É porque o filho de vocês não está lá dentro.”

E ressaltou seu lugar de fala:

Quem está falando aqui é pastor. (…) Eu sei que morreram quatro ontem: meninos que nunca portaram fuzis, mas estão sendo contados no pacote como se fossem bandidos.”

MUDANÇA DE POSTURA

A ativista de direitos humanos e evangélica de esquerda, Andressa Oliveira, comentou o pronunciamento do deputado e pastor Ottoni de Paula, destacando a mudança de postura do parlamentar, que antes defendia o discurso de que “bandido bom é bandido morto” e agora pede justiça pela morte de quatro jovens de sua igreja, vítimas de violência policial.

Para Andressa, o fato de um líder religioso da direita denunciar a letalidade policial e reconhecer o viés racial dessas ações é algo inédito e simbólico.

É a primeira vez que eu vejo um líder de igreja, principalmente da direita, reclamando por justiça, reclamando inocência e denunciando a morte de jovens pela polícia. Porque isso não é comum”, afirmou.

Ela vê nessa mudança um possível despertar de consciência sobre o genocídio da população negra e espera que o clamor do deputado não se limite aos membros de sua igreja, mas se estenda a todas as vítimas da violência e da injustiça do Estado.

Por Lucas Rocha e Schirlei Alves

Fonte: iclnoticia.com.br

10.29.2025

MOTORISTAS - Governo oferecerá cursos gratuitos para CNH

Um novo mercado será formado para os instrutores, diz ministro

As facilidades que estão sendo planejadas pelo governo federal para simplificar e baratear a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) vão além da diminuição do número de aulas práticas, e abrangerá também cursos gratuitos que poderão ser oferecidos de forma online ou, até mesmo, nas escolas públicas.

Com a desobrigatoriedade de as aulas serem ministradas exclusivamente por autoescolas, a expectativa é a de viabilizar também negociações diretas entre alunos e instrutores, que precisarão de certificados que poderão ser obtidos por meio de cursos oferecidos pelo Ministério do Transporte o pelos departamentos de trânsitos dos estados (Detrans).

O detalhamento sobre essas facilidades foi apresentado pelo ministro dos Transportes, Renan Filho, na quarta-feira (29), durante o programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

A expectativa é de as novas regras comecem a vigorar ainda este ano, por meio de uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), após a coleta de sugestões da sociedade, que está sendo feita até o dia 2 de novembro por meio de audiências públicas.

ALTO CUSTO

Segundo Renan Filho, há regiões em que as pessoas precisam pagar até R$ 5 mil para obter uma CNH, em um processo que chega a durar 9 meses para ser concluído. 

É muito caro. Custa mais do que três salários mínimos. É, portanto, um modelo impeditivo que leva as pessoas para a ilegalidade, dirigindo sem carteira”, disse.

O ministério mostrou, por meio de levantamento, que 54% dos Cadastros de Pessoa Física (CPF) que adquiriram motocicletas não têm habilitação. 

São pessoas sem habilitação, mas com motos em seus nomes. Em alguns estados, esse número chega a 70%. Só por esses números, concluímos que 20 milhões de brasileiros dirigem sem carteira. Isso precisa ser resolvido”, argumentou Renan Filho.

BUROCRACIA

O ministro lembrou que há também todo o processo burocrático, que encarece ainda mais a obtenção da CNH, colocando o Brasil como o país mais caro da América do Sul, para a obtenção de carteira de motorista. Essas dificuldades ficam ainda maiores, caso a pessoa queira se habilitar para carro e moto, ao mesmo tempo.

Nesse caso, explicou o ministro, “são necessárias 45 horas-aulas obrigatórias na autoescola, apenas para o curso teórico; outras 20 horas de aula prática para tirar a carteira de moto; e outras 20 horas de carro. São, portanto, 85 horas que a pessoa tem de dedicar. Se ela dedicar 2 horas por dia, precisará de mais de 40 dias”. O ministro lembrou ainda que após todas essas horas, a pessoa ainda tem de fazer a prova escrita.

Ao quebrar essa obrigatoriedade toda, e dar o direito ao cidadão de contratar o profissional que desejar, o governo pretende tornar o procedimento mais rápido e mais simples.

Uma das possibilidades estudadas pelo governo é a de usar as escolas públicas ou, se for o caso, privadas, para preparar as pessoas para a prova de habilitação. “Por que as escolas não preparam o cidadão para fazer a prova de habilitação? Essa é uma pergunta que muitos fazem. Não preparam porque há a obrigatoriedade da autoescola”, disse.

Além de preparar o jovem para o vestibular, as escolas podem preparar também para a CNH”, acrescentou Renan Filho, ao citar conteúdos como os de legislação, cidadania, direção defensiva e meio ambiente, entre outros.

AUTOESCOLAS

Renan Filho ressalta que não será o fim das autoescolas. 

Elas vão continuar existindo. O que vai acabar é a obrigatoriedade de contratar a aula prática das autoescolas. O que vai acontecer é que o cidadão poderá optar por ter aula com um instrutor autônomo, inclusive em seu próprio carro, desde que esteja [devidamente caracterizado] com adesivos ou ímãs”, esclareceu.

Perguntado sobre como via as críticas de falta de diálogo com o governo, feitas por centros de formação de condutores em alguns estados, o ministro garantiu que esse não é o verdadeiro problema.

Na verdade, o problema não é falta de diálogo, até porque as audiências públicas ainda estão abertas. O problema é a mudança que o governo está discutindo [e seus efeitos para as autoescolas]. Esses centros de formação de condutores querem manter uma reserva de mercado, que é uma espécie de monopólio. E monopólios, todos sabemos, aumentam preços”, disse.

NOVO MERCADO

Segundo o ministro, quem está por trás dessas manifestações são os donos de autoescolas. “Até porque muitos dos instrutores são favoráveis à nova legislação, porque poderão negociar diretamente [com aqueles que desejam ter a CNH]”

Além disso, acrescentou o ministro, a queda nos preços para obtenção de CNH fará com que mais gente tire a carteira. “E se mais gente vai tirar a carteira, mais instrutores serão necessários. Ou seja, teremos mais gente trabalhando. Essa mudança vai estabelecer um novo mercado”, complementou.

De acordo com o Ministério do Transporte, há, no Brasil, cerca de 200 mil instrutores que, com a nova legislação, estarão aptos a dar aulas. Esse número poderá ser ainda maior, com o credenciamento de novos instrutores, tanto pelo ministério como pelos departamentos de trânsito dos estados.

A discussão no momento, segundo Renan Filho, é sobre se haverá ou não uma quantidade mínima de horas necessárias de aula prática.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

10.28.2025

Premio Vladimir Herzog de jornalismo CELEBRA DEFESA DA DEMOCRACIA - Blog destaca CEARENSE vencedor na categoria ARTE

Programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, recebe menção honrosa

No marco dos 50 anos do assassinato do jornalista Vladimir Herzog, o Vlado, o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos agraciou na noite da segunda-feira (27), na 47ª edição da premiação, reportagens focadas na defesa da democracia, dos direitos humanos e da justiça social.

No evento os telões no teatro Tucarena, o teatro de arena da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUS-SP), onde a premiação ocorre tradicionalmente, exibiram também a gravação do pedido de perdão da presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Maria Elizabeth Rocha, aos mortos, desaparecidos e torturados do regime militar, estendendo o gesto aos familiares, durante o ato da Sé.

Neste ano, a cerimônia adquire um significado ainda mais profundo. São 50 anos do assassinato de Vladimir Herzog, o meu pai, no quartel do DOI-Codi [Departamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna, ligado ao Exército Brasileiro]. Meio século depois, o Brasil segue aprendendo, dia após dia, que não há futuro sem memória, democracia sólida sem justiça, liberdade possível sem a coragem de enfrentar as verdades mais duras da nossa história”, disse o filho de Herzog, Ivo.

O nome do meu pai tornou-se sinônimo de resistência e esse prêmio que carrega e embala a sua memória é um tributo vivo a todos que não se calam, muitas vezes sacrificando suas próprias vidas”, acrescentou.

Extraordinariamente, nesta edição do prêmio, a comissão organizadora instituiu nova categoria para reconhecer produções focadas na defesa da democracia, com o objetivo destacar pautas que tratam da política nacional, de ataques ao Estado Democrático de Direito e formas com que as instituições brasileiras, em todas as esferas, estão atuando na defesa de democracia.

Na nova categoria, foram agraciadas como vencedoras as reportagens Os kids pretos: O papel da elite de combate do Exército nas maquinações golpistas, do jornalista Allan de Abreu, publicada na Revista Piauí; e o documentário 8/1 – A democracia resiste, de Henrique Picarelli e equipe, transmitido pela GloboNews. Todos os conteúdos agraciados podem ser acessados no site da premiação

O programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), recebeu menção honrosa na categoria “Produção Jornalística em Vídeo”. O episódio "Mães de Luta" aborda a busca por justiça, memória e reparação pelas mulheres que perderam filhos, irmãos, sobrinhos ou netos em casos de violência policial. 

Fonte: agenciabrasil.ebc.co.br

DESTAQUE

Entre todos os premiados na 47ª edição do prêmio Jornalístico Vladimir Herzog destacamos aqui no blog Diogo Braga em Racismo Ambiental: A outra emergência” da Defensoria Pública do Estado do Ceará | Fortaleza/CE que foi o vencedor na Categoria Arte.

10.26.2025

Covid-19 deixou 149 mil CRIANÇAS E ADOLESCENTES órfãos em 2020 e 2021

Se considerados avós e outros cuidadores, número sobe para 280 mil

Além dos mais de 700 mil mortos pela covid-19 no Brasil, há outras 284 mil vítimas indiretas: crianças e adolescentes que perderam os pais, avós ou outros familiares mais velhos que exerciam papel de cuidado em suas residências. O número se refere somente a 2020 e 2021, os piores anos da pandemia. Entre elas, 149 mil perderam o pai, a mãe ou os dois.

A estimativa é de pesquisadores ingleses, brasileiros e americanos, que acabam de lançar um estudo para demonstrar não somente a “magnitude da orfandade no Brasil”, como também “as grandes desigualdades entre os estados".

Uma das autoras do estudo, a professora do Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo Lorena Barberia destaca que os impactos de uma emergência sanitária são identificados primeiro entre as vítimas diretas, mas há também aqueles que são afetados por essas mortes.

"Nós quisemos olhar a vulnerabilidade das pessoas que dependem de quem faleceu. Achamos super importante lembrar que as pessoas acima de 60 anos não só tinham mais chance de morrer, mas, muitas vezes, tinham um papel na estrutura familiar muito decisivo. Muitas crianças e adolescentes dependiam dessas pessoas. Então, pensamos que tínhamos que considerar essas estimativas, tanto de pais e mães como desses responsáveis".

A partir de modelos estatísticos, alimentados por dados demográficos, como a taxa de natalidade e o excesso de mortalidade ─ mortes acima do esperado ─ em 2020 e 2021, a pesquisa chegou a algumas estimativas:

  • Cerca de 1,3 milhão de crianças ou adolescentes, de 0 a 17 anos, perderam um ou ambos os pais, ou algum cuidador com quem elas viviam, por razões diversas; 

  • Dessas, 284 mil se tornaram órfãos ou perderam esse cuidador por causa da covid-19;

  • Com relação apenas às mortes por covid-19, 149 mil crianças e adolescentes se tornaram órfãos e 135 mil perderam outro familiar cuidador

  • 70,5% dos órfãos perderam o pai; 29,4%, a mãe; e 160 crianças e adolescentes foram vítimas de orfandade dupla;

  • 2,8 crianças ou adolescentes a cada 1 mil perderam um ou ambos os pais, ou algum familiar cuidador por covid-19;

  • Entre estados, as maiores taxas de orfandade são as do Mato Grosso (4,4), Rondônia (4,3) e Mato Grosso do Sul (3,8), enquanto as menores são do Rio Grande do Norte (2,0), Santa Catarina (1,6) e Pará (1,4). 

ÓRFÃOS REAIS

Em 2021, Ana Lúcia Lopes, hoje com 50 anos, perdeu o companheiro, o fotógrafo Cláudio da Silva, o que fez com que seu filho, Bento, que tinha 4 anos, ficasse órfão de pai. Ela lembra que esses números dizem respeito a crianças e adolescentes reais, que sofreram e continuam sofrendo com as mortes de seus entes queridos. 

Sem nenhum fator de risco para a doença, ele tinha 45 anos e foi infectado durante uma viagem a trabalho. Com sintomas respiratórios, foi internado em uma quinta-feira, entubado na sexta e não resistiu após uma parada cardíaca, na segunda-feira seguinte. Nem pode rever o filho, após os dois meses de trabalho fora de casa. 

"Apesar de tudo, no começo, ele parecia bem. Um tempo depois, quando ele foi mudar de classe na escola, ele começou a chorar bastante, porque não queria perder a professora. Aí, eu perguntei o que ele estava sentindo, e ele disse: ‘Ah, mãe, acho que eu queria o meu pai’. Foi quando ele começou o atendimento psicológico".

Cláudio recolhia a contribuição previdenciária referente ao seu trabalho como microempreendedor individual, o que garantiu a Bento a pensão por morte e evitou que a família passasse por problemas financeiros. De acordo com outra autora do estudo, a promotora de justiça da cidade de Campinas (SP) Andréa Santos Souza, os problemas financeiros são os mais frequentes em situações de orfandade.  

VIOLAÇÕES DE DIREITOS

Durante a pandemia de covid-19, o trabalho de Andrea Santos Souza, que atua na área de Infância e Juventude na cidade de Campinas (SP), estava bastante focado na proteção das crianças e adolescentes afetados pelo fechamento das escolas, pela miséria pandêmica, ou pela crescente violência familiar. Até que ela percebeu um aumento nos pedidos de guarda, feitos por tios, avós e outros parentes.

Essas crianças estavam ficando órfãs sem uma representação legal. Pedi aos cartórios que me mandassem todas as certidões de óbito das pessoas que morreram por Covid e que deixaram herdeiros menores. Num primeiro momento, eles disseram que não conseguiam fazer esse recorte, então, eles me mandaram todas as certidões de quem morreu naquele ano de 2020. Foram mais de 3 mil, e foi um trabalho muito triste. Eu, uma estagiária e uma funcionária ficamos olhando certidão por certidão, separando todos os órfãos. Numa primeira leva, nós localizamos quase 500 crianças”, lembra Andrea.

A partir daí, o trabalho duplicou: as certidões continuavam chegando, e, ao mesmo tempo, era preciso localizar todas essas crianças, encaminhá-las para programas de assistência, checar se já constavam no Cadastro Único no Governo Federal e se as famílias já recebiam o Bolsa Família ou o Auxílio Emergencial. Era preciso ainda verificar se elas não estavam sendo vítimas de outras violações, além de terem perdido suas mães e pais. 

A primeira delas é a separação de irmãos, né? As famílias numerosas separam os irmãos. Quanto aos bebezinhos muito pequenos, tem o problema de adoções ilegais. As meninas tinham situações de exploração de todas as formas, trabalho doméstico forçado, casamento infantil, abuso sexual… Em muitos meninos, a gente via o direcionamento para o tráfico ilícito de entorpecente ou exploração do trabalho infantil…”

Além dessas situações mais drásticas, Andréa enfatiza que toda orfandade aumenta a vulnerabilidade, especialmente nos casos minoritários de crianças que perderam tanto a mãe quanto o pai, ou daquelas que já eram criadas por mães solo, quantidade bastante frequente. Os profissionais de saúde que morreram e deixaram filhos eram numerosos, mas, como a pandemia escancarou desigualdades sociais, a maioria dos órfãos era de filhos de trabalhadores de limpeza, alimentação, transporte ou informais, que não puderam parar e se isolar em casa.

Diante de exemplos tão trágicos, a promotora buscava entender melhor a dimensão da orfandade causada pela covid-19 no Brasil, quando as primeiras estimativas globais sobre a tragédia foram lançadas por pesquisadores do Imperial College, de Londres, na Inglaterra, em julho de 2021. Andréa entrou em contato com os pesquisadores, contou sobre a sua experiência localizando os órfãos de Campinas e, a partir daí, passou a colaborar com o grupo de estudos, que é o mesmo responsável pelas novas estimativas. 

CRUZAMENTO DE DADOS

Graças ao encontro com Andréa, os pesquisadores puderam comparar o resultado dos modelos estatísticos com os dados da promotoria, e confirmar as semelhanças. Conheceram também outra ferramenta dos registros civis brasileiros, que é quase única no mundo. Desde 2015, as certidões de nascimento já são emitidas em conjunto com o CPF e, quando o documento é registrado, os cartórios associam o número das crianças ao CPF dos pais, o que permite o cruzamento de informações, inclusive em casos de orfandade. 

Com isso, a Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen/Brasil) verificou que, de março de 2020 a setembro de 2021, 12,2 mil crianças de até 6 anos ficaram órfãos por causa da covid-19, com proporções similares de mortes maternas e paternas, e de ocorrências ao longo dos meses. Como os dados da Arpen cobrem apenas as crianças nascidas de 2015 para cá ou aquelas que tiveram a certidão de nascimento reemitida, não seria possível saber a dimensão da orfandade apenas por eles, mas os registros serviram para reforçar a validade das estimativas do estudo. 

O objetivo é lembrar que, mesmo depois do fim da pandemia, nós precisamos de políticas públicas para dirimir as desigualdades provocadas pela pandemia, porque nós sabemos que algumas pessoas saíram em uma situação muito mais vulnerável que outras. Não houve um programa desenhado para essas crianças especificamente, e a sociedade não estava acostumada a essa magnitude de órfãos. Os programas que existem claramente precisam ser fortalecidos, porque temos um grupo novo de crianças e adolescentes, que não era esperado", reforça a pesquisadora Lorena Barberia.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

10.25.2025

PELO O DIA DO DENTISTA uma reflexão: DENTE OPOSTO

Submetam-se a Deus. Resistam ao diabo, e ele fugirá de vocês. Tiago 4:7

Quando minha filha Larissa estudou odontologia, acabei aprendendo várias coisas sobre os dentes. Quase virei um dentista, ou quem sabe um Tiradentes. Mas houve um detalhe que aprendi quando ela, recém-formada, precisou fazer um tra­tamento ortodôntico. Buscamos um conceituado especialista de Piracicaba, que trabalhava em parceria com a filha. Na terceira visita, a certo momento, a cirurgiã-dentista, muito comunicativa e competente, explicou que sua jovem paciente pre­cisava extrair dois terceiros molares superiores. Apesar de serem chamados de dentes do siso ou do juízo, pois normalmente nascem entre os 16 e os 20 anos, esses dentes não têm uma forma definida e podem causar muitos impactos nega­tivos. Por isso, os dentistas recomendam sua remoção. Para minha surpresa, a den­tista disse que o dente do siso pode crescer de modo exagerado, se não houver um dente oposto para impedir seu desenvolvimento.

Sentado no consultório, comecei a viajar na imaginação e a refletir que existem muitos “dentes sem juízo” por aí que precisam de uma força oposta para impedir seu crescimento. Ellen White escreveu que "o príncipe da potestade do mal só pode ser mantido em sujeição pelo poder de Deus na terceira pessoa da Divindade, o Espírito Santo" (Evangelismo, p. 617). Se não houver uma força divina para se opor ao mal, ele causará inúmeros danos.

Jesus pediu ao Pai "o mais alto dos dons", o Espírito Santo, para ajudar seu povo a resistir ao mal. Ellen White afirma: "[O Espírito Santo] ia ser dado como agente de regeneração, sem o qual o sacrifício de Cristo de nenhum proveito teria sido. O poder do mal se estivera fortalecendo por séculos, e alarmante era a submis­são dos homens a esse cativeiro satânico. Ao pecado só se poderia resistir e ven­cer por meio da poderosa operação da terceira pessoa da Divindade, a qual viria não com energia modificada, mas na plenitude do divino poder" (O Desejado de Todas as Nações, p. 475).

De fato, há certas coisas que precisam de um poder oposto para impedir seu avanço destrutivo. Na vida espiritual, se a luta para manter a comunhão com Deus e a submissão a ele é imprescindível, a batalha para vencer o mal é inevitável. Por isso, peça hoje o poder divino para você se posicionar contra o mal em qualquer de suas formas. Mantenha um relacionamento íntimo com o Senhor e construa um sistema de segurança mental e emocional. Revista-se com o caráter de Cristo e o poder do Espírito Santo. O mal não deve apenas ser condenado com palavras, mas combatido com ações.

Fonte:https://esperancadoadvento.blogspot.com/

10.24.2025

RUMORES

Não dê falso testemunho contra o seu próximo. Êxodo 20:16

Alguém disse certa vez que todos nós temos a tendência natural de “fofocar” ou, para amenizar o termo, “compartilhar informações uns com os outros”. Tanto é que vemos aplicativos de notícias e nos sentimos mal quando somos os últimos a saber de uma notícia bombástica.

Se isso é verdade, por que não podemos aproveitar a situação para criar uma corrente do bem? Já que temos a tendência de buscar informações e passá-las adiante, então podemos fazer isso divulgando boas notícias. Por exemplo, suponha que você ouça alguém elogiando um colega. Imagine como ele ficaria feliz se você compartilhasse o elogio positivo com ele. Essa boa notícia pode encontrá-lo em um momento difícil, e essa informação pode trazer um grande alento.

Outra situação seria a de reconhecer quando alguém lhe trata bem ou é competente em um atendimento. Se a atendente da companhia aérea nos trata mal, abrimos uma reclamação no SAC, mas se nos trata bem, dificilmente mandamos um e-mail mencionando o ocorrido.

Certa vez, em um restaurante de Salvador, vi um aviso que dizia: “Tratamos bem nossos clientes, pois, uma vez satisfeitos, eles nos recomendarão para cinco pessoas, mas, se saírem chateados, falarão para mil.” Por isso, dizem que notícia boa vem a pé e a ruim vem a galope. Pior ainda é quando a notícia ruim é um rumor, muitas vezes falso, que se espalha acerca de uma pessoa.

Psicólogos afirmam que o hábito de espalhar rumores pode surgir de uma baixa autoestima ou do desejo de ser aceito. Mas, no fundo, continua sendo um defeito de caráter passível de repreensão. Entre as consequências negativas da fofoca, os especialistas apontam: perda de tempo e produtividade, erosão da confiança e do estímulo, ansiedade e tensão, confusão, atrito, prejuízo na carreira e perda de boas relações.

As consequências negativas da fofoca surgem em qualquer ambiente, seja doméstico ou profissional, tornando o local tóxico para aqueles que convivem nele. É contra esse comportamento que Deus nos adverte no nono mandamento. Ao seguirmos esse princípio, nos tornamos verdadeiros agentes do bem, promovendo a verdade com amor e prudência.

Fonte:https://mais.cpb.com.br/meditacao/rumores/

Outubro Rosa - CÂMARA PROMOVE SEMINÁRIO de enfrentamento do CÂNCER DE MAMA

Câmara e Senado promovem seminário sobre enfrentamento do câncer de mama

A Câmara dos Deputados e o Senado Federal promovem na próxima quarta-feira (29) o seminário “Zero Mortes Evitáveis por Câncer de Mama: Acesso, Desafios e o Papel dos Três Poderes e da Sociedade Civil”, como parte do Outubro Rosa, mês símbolo da luta contra o câncer de mama e do colo do útero.

O seminário será realizado no Plenário 14 da Câmara dos Deputados, a partir das 15h30. Será discutida a alta taxa de mortalidade por câncer de mama e as barreiras de acesso ao tratamento no Brasil, com o objetivo de mobilizar a esfera política, técnica e a sociedade civil para uma ação integrada em prol da redução das mortes por câncer de mama.

Os objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) fixam como meta para 2030 a diminuição do risco de morte prematura de um terço para doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), que incluem os diversos tipos de câncer. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o câncer é responsável por cerca de 9 milhões de mortes anualmente, perdendo apenas para as doenças cardiovasculares (17,9 milhões de mortes/ano), que é a principal causa de morte por DCNTs no mundo.

A abertura do seminário contará com a presença de importantes lideranças políticas femininas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, além de representantes do Ministério da Saúde, do Conselho Nacional de Justiça e do Tribunal de Contas da União. Também está prevista a participação de representantes de instituições como Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), Instituto Oncoguia, ONG Recomeçar, Instituto Natura, Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), parceiras da Secretaria da Mulher da Câmara nas ações do Outubro Rosa.

Seminário “Zero Mortes Evitáveis por Câncer de Mama: Acesso, Desafios e o Papel dos Três Poderes e da Sociedade Civil”
Data: quarta-feira (29), a partir das 15h30.

Local: Plenário 14 da Câmara dos Deputados

Fonte: camara.leg.br

10.23.2025

Fora de 'ÁREA VIP', movimentos sociais articulam COP DO POVO em BELÉM

Enquanto chefes de Estado debatem metas e acordos, movimentos sociais, indígenas e comunidades amazônicas preparam em Belém suas próprias agendas por justiça climática

Fora da área restrita a negociadores oficiais conhecida como Blue Zone (Zona Azul), por onde vão circular diplomatas, ministros, chefes de delegação e lobistas do petróleo e do agronegócio, Belém também vai ferver durante a COP30. A capital paraense, que entre 10 e 21 de novembro sediará a conferência da ONU sobre o clima, será o palco da maior mobilização popular da história das cúpulas ambientais.

A poucos quilômetros do Parque da Cidade, sede do evento oficial, povos indígenas, comunidades tradicionais e movimentos sociais organizam uma agenda própria, com denúncias, debates e propostas.

Três espaços se destacam nessa mobilização: a COP do Povo, a Cúpula dos Povos e a Aldeia COP. A primeira é formada principalmente por associações de base da Amazônia. A Cúpula, por sua vez, reúne organizações nacionais e internacionais. Por fim, a Aldeia COP constitui um espaço índigena autogerido para incidir nas negociações climáticas.

TRIBUNAL CONTRA ECOGENOCÍDIO’ SERÁ O GRANDE MOMENTO DA COP DO POVO

A COP do Povo será realizada entre 10 e 22 de novembro, na Casa da COP do Povo, no bairro Reduto, perto da Praça da República. O espaço, alugado e reformado por movimentos sociais, pastorais, coletivos urbanos e comunidades de base, foi pensado para abrigar oficinas, rodas de conversa, shows, exibições de livros e exibição de filmes. Veja aqui a programação oficial. O ponto alto da programação será o Tribunal dos Povos contra o Ecogenocídio, marcado para 13 e 14 de novembro. O fórum vai julgar simbolicamente 17 casos de violação de direitos humanos e de degradação da natureza, reunidos por comunidades afetadas em diferentes regiões do país, sobretudo na Amazônia. A organização planeja realizar o júri na Praça da República, mas aguarda o aval da Prefeitura de Belém.

A ideia é apresentar para a população que esses problemas existem. Vamos fazer um momento simbólico de análise coletiva e de constrangimento”, explica o engenheiro florestal Carlos Augusto Pantoja Ramos, doutorando na UFPA (Universidade Federal do Pará) e um dos organizadores.

Ramos diz que o tribunal terá efeito político, para além do simbólico, chamando atenção para violações e constrangendo publicamente empresas e governos. Ele também atuará como especialista, durante um dos julgamentos, nos casos de mercado de carbono: “Esse mercado é um novo modelo de expropriação de terras pelo capital. Vamos expor isso”, antecipa.

O advogado Nery Júnio, do coletivo Maparajuba, responsável pela assessoraria a povos indígenas e comunidades tradicionais no oeste do Pará, ressalta que a segurança dos participantes é prioridade. “Muitos defensores e defensoras estão ameaçados [de morte]. É preciso dar um mínimo de segurança para que possam narrar as violações”, afirma.

Júnio afirma que o tribunal será um espaço de mobilização popular e de incidência política: “Queremos usar esse espaço para que as comunidades possam incidir política e juridicamente, inclusive junto à ONU e à Corte Interamericana”, afirma.

Essas pessoas precisam estar no centro do debate”, diz Claudelice Santos, do Instituto Zé Cláudio e Maria, uma das organizadoras. O instituto leva o nome do irmão e da cunhada, José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo, assassinados em 2011 em Nova Ipixuna (PA), por defenderem a floresta.

Outro que estará presente na COP do Povo é José Batista Gonçalves Afonso, advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Segundo ele, a conferência oficial da ONU é um espaço de difícil participação dos movimentos sociais e das comunidades locais. Batista define a COP do Povo como um  “um espaço de encontro com essas comunidades e com organizações de diferentes regiões para trocar ideias, socializar angústias e desafios, fortalecer o debate climático e a proteção da Amazônia”, explica.

CÚPULA DOS POVOS BUSCA CONVERGÊNCIA GLOBAL

A Cúpula dos Povos por Justiça Climática será realizada entre 12 e 16 de novembro, no campus da UFPA. A expectativa da organização é reunir de 10 mil a 20 mil pessoas, representando mais de mil organizações do Brasil e do exterior. Diferente da COP do Povo, a Cúpula tem uma trajetória mais antiga e institucionalizada, retomando eventos como o Fórum Global da Rio-92 e a Cúpula da Rio+20.

Pablo Neri, membro da coordenação nacional do MST do comitê político da Cúpula, afirma que o evento será “um espaço de convergência” que reúne mais de 1.100 organizações em torno de uma carta de compromissos de visão anticolonial, antipatriarcal e anticapitalista.

Neri vê a COP do Povo e a Aldeia COP como aliados: “A COP do Povo é formada por associações de base da Amazônia, enquanto a Cúpula é formada por associações e federações de todo o planeta”, diferencia.

O governo reconhece a legitimidade da Cúpula dos Povos. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Márcio Macêdo, disse que a Cúpula será “um dos grandes momentos da COP30” e que “não existe política pública sustentável sem participação popular”.

Na programação da Cúpula estão previstas uma marcha pelas ruas de Belém, uma barqueata e um banquetaço amazônico com agricultores e cozinhas comunitárias. O encerramento prevê a entrega da Declaração dos Povos ao presidente da COP 30, embaixador André Corrêa do Lago, que se comprometeu a ler o documento na plenária oficial.

A ALDEIA COP GANHA PALCO

Também no campus da UFPA será instalada a Aldeia COP, ou Aldeia Indígena da COP-30, organizada pelo Ministério dos Povos Indígenas e por organizações sociais. A estrutura ficará na área da Escola de Aplicação da universidade e abrigará cerca de 3 mil indígenas do Brasil e de outros países. O espaço será autogerido e contará com alojamentos, refeitório, feira e atividades culturais. As lideranças articulam 500 credenciais para atuar nas negociações oficiais e defendem que a demarcação de terras indígenas seja reconhecida como medida climática efetiva, considerando que esses territórios concentram grandes áreas de floresta preservada e reservas de água do país.

Estamos organizando tudo com muito carinho, com muito gosto, para ser um espaço bonito, digno, com ótimo acolhimento e com uma agenda totalmente conectada com as discussões dos outros espaços. Vamos construir a maior e melhor participação indígena na história das COPs”, afirmou a ministra Sonia Guajajara.

A ministra e outras lideranças também defendem transparência nos mecanismos de financiamento, como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), que prevê destinar 20% dos recursos a povos indígenas e comunidades tradicionais. Elas reivindicam participação direta na gestão e no monitoramento desses recursos.

Por falar em TFFF, a sopa de letrinhas das siglas e os termos técnicos dos especialistas — o chamado “climatiquês” — costumam afastar o público das discussões sobre o meio ambiente. A COP reúne dezenas de expressões e abreviações, como NDC, IPCC e GST, que tornam o debate pouco acessível a quem não acompanha o tema. A Repórter Brasil preparou um Dicionário do Fim do Mundo com a explicação desses termos técnicos.

As mudanças climáticas deixaram de ser algo fora do cotidiano, das calotas polares. Agora representam chuvas extremas e ilhas de calor que já nos afetam muito. Estamos sentindo na pele os efeitos dos eventos extremos. Vivemos um novo momento de luta pela justiça climática”, afirma Pablo Neri, organizador da Cúpula dos Povos.

Por Daniel Camargos – Repórter Brasil 

Fonte: iclnoticias.com.br

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