As
bets foram proibidas no último dia 25 de setembro.
Após
o fim
das bets,
o consumo de itens como arroz,
óleo, macarrão e café cresceu
nos supermercados do Ceará, segundo a Associação Cearense de
Supermercados (Acesu). A tendência de alta foi percebida pelas
empresas filiadas após o bloqueio das plataformas de apostas online,
oficializada no último dia 25 de setembro.
Dados
da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) mostram que o
consumo no varejo alimentar subiu em todo o País
depois
da proibição.
O estudo considera que a medida causou esse o aumento. O Nordeste
registrou a terceira maior alta, de 6,5%.
O
secretário executivo da Acesu, Antônio Sales, reconhece os dados
divulgados. Segundo ele, as pesquisas
mostram que há uma clara tendência no aumento do consumo em
supermercados após a proibição das bets.
De
acordo com o relatório da Abras, entre os dias 5 e 11 de outubro, o
setor
apresentou alta de 6,5% no Brasil em
relação ao mesmo período do ano anterior. O maior índice, de
10,6%, foi apresentado pelo Sul e pela região formada por Minas
Gerais, Espírito Santo e o interior do Rio de Janeiro.
A
tendência se manteve na semana seguinte, de 12 a 18 de outubro. No
Brasil, a alta foi de 6,3% em relação ao mesmo período de 2025, e
o índice nordestino foi de 4,5%.
A
Medida Provisória nº 1.394/2026, que
proíbe as plataformas de apostas online
em
todo o território nacional, foi assinada pelo presidente Luiz Inácio
Lula da Silva no dia 25 de setembro
A
partir da publicação do texto,
as plataformas ficaram proibidas de receber recursos dos apostadores.
Além disso, os bancos que processam pagamentos para as bets foram
obrigados a devolver os valores investidos até o dia 14 de outubro.
Setor
vê aumento atípico e generalizado
De
acordo com a Abras, o crescimento no consumo em supermercados após a
proibição das bets pode ser observado, especialmente,
na cesta de produtos essenciais, como arroz, óleo, macarrão e café.
Durante
coletiva de imprensa da Associação veiculada no YouTube na
quinta-feira (29), o vice-presidente da entidade, Marcio Milan,
classificou os dados como um aumento atípico e generalizado.
Segundo
ele, o crescimento foi observado em todas as regiões brasileiras e
formatos de lojas do segmento, como supermercados, atacarejos e
mercearias.
Além
disso, Milan destacou que o estudo
levou em consideração as sazonalidades, comportamentos e resultados
dos períodos analisados
e de anos anteriores.
“Esse
movimento reforça a possibilidade de que parte dos recursos antes
destinados a apostas esteja sendo direcionada para o consumo das
famílias. Esse aumento não esteve localizado numa região e nem em
segmentos de supermercados que muitas vezes fazem grandes ofertas.
Todo o histórico do consumo das famílias que divulgamos mensalmente
tem indicadores consolidados que nos permite ter uma contextualização
de fatores que contribuem ou interferem nessa dinâmica” Marcio
Milan, Vice-presidente da Abras
Para
o relatório, explica Milan, foram utilizados dados fornecidos pelas
próprias empresas do setor de supermercados. A Abras seguirá
acompanhando a tendência e pretende divulgar novas análises e
estudos em breve.
Para
o economista e professor do mestrado profissional em Administração
e Controladoria da Universidade Federal do Ceará (UFC), Erico Veras,
é viável relacionar o fim das bets com o aumento do consumo em
supermercados no Brasil.
“Essa
relação tem certo sentido, porque nesse estrato da população que
estava endividado com as bets, a maior parte do dinheiro vai para o
consumo, e essa parte do consumo vai para alimentação. Além de não
gastarem com apostas, essas pessoas receberam o dinheiro que estava
nas bets. Tanto que o crescimento foi maior num primeiro momento”,
salienta.
Sobre
a continuação da tendência nas próximas semanas, o especialista
pondera que os meses de novembro e dezembro já são períodos em que
o setor de alimentos registra, tradicionalmente, crescimento, devido
a fatores como o pagamento do 13º salário.
Juntando
isso com a questão de que, como há recurso escasso nesse estrato
social, qualquer recurso que deixa de ser utilizado para uma
determinada coisa vai ser alocado em outro lugar, fazendo com que se
possa dizer que teremos uma melhora no varejo. Mas não dá para
dizer o quanto vai ser isso” Erico Veras, Economista.
Setor
de apostas contesta relação de causa e efeito
O
presidente executivo do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável
(IBJR), Carlos Lima, contesta
a relação de causa e efeito.
Para ele, a Abras não comprovou que o aumento tenha sido provocado
pelo fim das apostas online.
Lima
cita outros fatores que podem ter ampliado o orçamento das famílias
no período, como o programa Desenrola
Adimplentes,
o pagamento do abono salarial, a redução de tributos sobre
combustíveis e a bandeira
tarifária verde
na conta de luz em outubro.
Lima
também que o peso das apostas na economia é pequeno diante do
consumo das famílias e do faturamento dos supermercados, mas
ressalva que isso não elimina os impactos sobre determinadas
famílias.
“O
consumo no Brasil já vinha crescendo antes mesmo da proibição.
Observar apenas a proibição não significa que ela seja a única
explicação. É necessário demonstrar que o dinheiro deixou de ser
gasto em apostas e efetivamente passou para a compra de alimentos”
Carlos Lima, Presidente executivo do IBJR.
Segundo
Lima, acabar com o setor de apostas reguladas deixa o consumidor
exposto ao mercado ilegal. De acordo com o IBJR, os jogos
clandestinos de bets cresceram 101% após medida provisória.
Nesta na
terça-feira (3), o Supremo Tribunal Federal (STF) realiza as
audiências públicas convocadas pelo ministro Luiz Fux para debater
o setor de bets.
Defesa
do consumidor quer ser ouvida no STF
Instituto
Brasileiro de Política e Direito do Consumidor (Brasilcon), a
Associação Nacional do Ministério Público do Consumidor (MPCON),
o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) e o Fórum Nacional das
Entidades Civis de Defesa do Consumidor (FNECDC) reclamam
que não foram chamados para a audiência do Supremo Tribunal Federal
(STF) sobre
a proibição das bets, marcada para terça-feira.
Das
28 entidades convidadas, nenhuma representa o consumidor.
As
quatro pediram para participar, mas os pedidos ainda não foram
analisados.
Em
nota conjunta, lembram que o relator do caso, ministro
Luiz Fux, já afirmou que as bets são o principal fator de
endividamento das famílias brasileiras.
Pedem
que sejam ouvidas, mesmo que de forma remota, ou que o STF marque
nova data para a audiência.
Fonte:
https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/negocios