Texto
aprovado também prevê medidas para produtores rurais, fertilizantes
e realização da Copa do Mundo Feminina de 2027
A
Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira (12), por 318 votos a
113 e uma abstenção, a redução de alíquotas de tributos federais
sobre a importação, a produção e a comercialização de óleo
diesel rodoviário, biodiesel, gasolina, etanol e querosene de
aviação. O único destaque analisado foi rejeitado. A proposta
segue para análise do Senado.
Segundo
o texto, a perda de arrecadação será compensada pelo aumento da
receita da União no setor de combustíveis após o início do
conflito entre Irã e Estados Unidos, em fevereiro deste ano.
O
texto aprovado é a versão da relatora, Marussa Boldrin
(Republicanos-GO), para o Projeto de Lei Complementar 114/26, do
deputado Paulo Pimenta (PT-RS).
Entre
as mudanças, a relatora incluiu medidas para proteger o setor de
biocombustíveis e os produtores rurais.
“Não
faz sentido reduzir a carga do combustível fóssil e destruir, por
consequência, a competitividade de uma cadeia que gera emprego,
renda e desenvolvimento no interior do País”, argumentou.
O
presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), elogiou o
relatório de Marussa Boldrin.
"O
cidadão brasileiro não terá aumento de combustível ou da inflação
no período em que enfrentamos o conflito no Oriente Médio. A
relatora foi sensível às demandas do governo para acoplar ao texto
matérias de importância à estratégia nacional de competitividade,
com estímulo a fertilizantes e exploração de terras raras. Ela
também conseguiu subsídio ao setor de etanol, que gera emprego e
renda."
Biocombustíveis
Pela
versão aprovada, qualquer medida de redução tributária sobre
combustíveis fósseis, inclusive por meio de subvenção, deverá
manter a diferenciação competitiva em favor do biocombustível.
A
diferença deverá ser equivalente à praticada antes do conflito,
tanto em termos percentuais quanto absolutos por unidade de medida.
Se
a tributação federal da gasolina cair 30% ou mais, as alíquotas do
etanol serão reduzidas a zero.
Neste
ano, o governo concederá subvenção de R$ 1,2 bilhão aos
produtores de etanol hidratado para garantir a diferenciação nos
preços da gasolina e do etanol.
Produtores
de etanol, inclusive cooperativas, poderão compensar até R$ 750
milhões em débitos com a Receita Federal.
A
compensação será feita por meio de saldos credores da contribuição
para o PIS/Pasep e da Cofins. O valor será proporcional ao
percentual de produção de etanol hidratado em 2025 dos
contribuintes habilitados.
Produtores
rurais
Entre
as medidas para os produtores rurais, o texto reduz de 50% para 30% o
limite da receita com exportação para que a empresa possa se
enquadrar na suspensão do pagamento do IBS e da CBS.
A
União poderá conceder até R$ 5 bilhões em créditos fiscais para
a produção de fertilizantes, matérias-primas, remineralizadores e
bioinsumos entre 2027 e 2031.
Os
créditos serão de até R$ 1 bilhão por ano. O valor corresponderá
a até 20% dos gastos com produção de fertilizantes e
matérias-primas em território nacional.
As
mercadorias destinadas a projetos de desenvolvimento da indústria de
fertilizantes e matérias-primas ficarão isentas do Adicional ao
Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM).
A
renúncia de receita deverá ser de até R$ 200 milhões por ano.
Fifa
A
proposta também prevê medidas como regras para a destinação de
recursos a hospitais inteligentes de alta complexidade e benefício
fiscal para a Fifa pela realização da Copa do Mundo de Futebol
Feminino, em 2027.
“Esses
recursos poderiam ser utilizados na saúde e na educação públicas”,
lamentou o deputado Glauber Braga (Psol-RJ).
Fonte:
Agência Câmara de Notícias