9.27.2026

SAIBA como as BETS ADOECERAM E ENDIVIDARAM muitos brasileiros

Apenas em 2025, as famílias brasileiras perderam R$ 62 bi em apostas.

“Um grande alívio.” Foi assim que Kaio*, de 42 anos, definiu o sentimento ao ouvir a notícia, na última sexta (25), de que as operações das empresas de apostas on-line, as bets, foram proibidas no Brasil. Ele diz que tenta recomeçar a vida depois de perder o carro, a casa e o emprego por causa das dívidas de jogo.

Hoje, Kaio mora sozinho em um dormitório em uma cidade do interior de Goiás. No local, ele se abriga, todas as noites, no chão. Temendo pela segurança, em função de dívidas contraídas com agiotas, preferiu se afastar e ficar longe da família. Ele reconhece que, nos últimos seis anos, o vício em jogos fez a sua vida virar pelo avesso.

Por isso, resolveu procurar ajuda em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps), onde começou, neste ano, a participar de grupos terapêuticos e consultas médicas. Ele toma três remédios por dia. 

Desde o início dos alertas sobre o empobrecimento da população e o aumento do vício das bets, a Agência Brasil tem produzido reportagens sobre o tema. Veja aqui todas as matérias publicadas. 

Aprovada em 2018

A Medida Provisória 1394  que proibiu as bets no país, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira (25), revogou o que estava previsto no capítulo 5 da Lei 13.756, de dezembro de 2018, aprovada no último mês do governo de Michel Temer.

Apesar de terem sido aprovadas em 2018, as bets só foram regulamentadas em dezembro de 2023. Ou seja, as plataformas de apostas funcionavam, mas praticamente sem nem tipo de regra por pelo menos cinco anos.

Foi apenas com a regulamentação que surgiram regras como a necessidade de avisos de desestímulo ao jogo e de advertência sobre seus malefícios que deveriam ser veiculadas pelos agentes operadores.

Vulnerabilidades

A psiquiatra Katia Branco, supervisora do Grupo Pro-Amiti (que trata e estuda o transtorno do controle de impulso) do Hospital das Clínicas de São Paulo, explica que pessoas em vulnerabilidade representam o grupo mais suscetível ao vício em jogos e foram afetadas por desinformação e publicidade enganosa por todos os lados.

Segundo ela, as pessoas foram atacadas por anúncios que induziam a uma falsa ideia de que o jogo serviria como uma complementação de renda. “São pessoas que querem retornos rápidos induzidas a acreditar que podem ter isso com as bets. Isso se tornou realmente muito perigoso.”

Perdas bilionárias

Apenas no ano passado, as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as bets (diferença entre o dinheiro apostado e o devolvido em forma de prêmio). Isso equivale a uma média de R$ 4,7 bilhões por mês, de outubro de 2024 a março de 2026.

As perdas equivalem a 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias e consideram as transferências feitas por Pix para as casas de apostas. No mesmo período, as bets movimentaram quase R$ 351 bilhões em transações via Pix.

Os dados foram divulgados no Boletim Fiscal dos Estados, divulgado pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz).

Regras não seguidas

A lei que regulamentava as bets determinava, por exemplo, que as empresas bloqueassem o acesso de usuários identificados como compulsivos. Mas, segundo o advogado Júlio Leone, isso nunca ocorreu. Ao contrário, as empresas mandavam inúmeros bônus e anúncios aos jogadores, “É aí que ela perde todo o capital", disse o advogado à Agência Brasil em agosto.

Kaio* reforça que era exatamente isso o que ocorria. “O celular não parava de trazer mensagens.”

Pessoas de todas as idades passaram a ser vítimas das violações cometidas pelas plataformas, inclusive, adolescentes.

Um em cada cinco alunos (20,4%) dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio disse, no último ano, já ter feito apostas online. O levantamento foi feito a pedido da Frente Parlamentar Mista da Educação pela Equidade.info (iniciativa que produz dados para pesquisas). O estudo ouviu 1.912 estudantes de 191 escolas de todo o país. 

Um dos dados de maior impacto mostrava que as apostas começavam aos 11 anos de idade. Pelo menos 9,5% dos estudantes nessa faixa etária disseram já ter feito apostas.

A psicóloga Mariana Kehl, membro da Sociedade Brasileira de Psicologia, explica que o jovem é mais vulnerável a apelos desse tipo porque o cérebro dele ainda está em construção. 

Os especialistas explicam que o núcleo ligado à sensação de prazer e à dopamina funciona em ritmo acelerado, as regiões que controlam os impulsos e avaliam riscos só terminam de amadurecer aos 20 e poucos anos.

“O adolescente sente intensamente o prazer de ganhar uma aposta, mas ele, em contrapartida, ainda não dispõe do aparato para frear o impulso da aposta seguinte”, diz.

Riscos de suicídio

Os profissionais de saúde constataram que apostadores de todas as faixas etárias apresentaram sinais de desesperança, sensação de estar sem saída, afastamento das pessoas, aumento do uso de álcool ou mudanças importantes de comportamento. 

Segundo a psiquiatra Katia Branco, supervisora do Grupo Pro-Amiti (que trata e estuda o transtorno de controle de impulso) do Hospital das Clínicas de São Paulo, falas relacionadas à morte ou a não querer mais viver devem ser motivo de atenção e procura de ajuda. 

“A ideação suicida deve ser tratada de forma mais aberta tanto no consultório quanto nos grupos terapêuticos. Com manejo adequado, podemos reduzir o risco e tentar ajudar os pacientes”, afirma a psiquiatra.

Ainda de acordo com a especialista, os pacientes mostravam-se extremamente ansiosos em virtude dos prejuízos caudados pelos jogos. “Há quem tenha pensamentos de morte e, no caso, os mais graves já com a ideação suicida em virtude dos prejuízos financeiros que têm”, explica.

Ajuda necessária

O neurocirurgião Orlando Maia afirma que pessoas com essa dependência têm a sensação de que a aposta faz parte do dia a dia, já que buscam um mecanismo de recompensa.  Ele explica que, muitas vezes, as pessoas não reconhecem o problema por si mesmas. “Precisam de pessoas da família ou de amigos que possam ajudar”.

A psicóloga Claudia Feres, que atua em um Centro de Apoio Psicossocial (Caps) no Distrito Federal, recomenda que pacientes dependentes e suas famílias procurem ajuda profissional. “Eu trabalho em Caps. Chegam para nós pessoas que tiveram pensamentos e fizeram, por exemplo, tentativa de autoextermínio. É um pedido de socorro desesperado, como se falasse que precisa se ausentar da vida naquele momento”.

Um dos problemas, segundo os especialistas, é que as apostas online estavam facilmente acessíveis e disponíveis praticamente 24 horas por dia.

"É um cassino dentro do seu bolso", afirmou Luiz Carlos*, 71 anos, integrante do Jogadores Anônimos. ”Graças a Deus eu não jogo hoje, porque, se eu jogasse, estava perdido. Na minha época, a gente tinha que sair de casa para jogar. Hoje não precisa mais", afirmou em entrevista à Rádio Nacional, dias antes de o governo proibir as plataformas de bets por problema de saúde pública.

Em agosto, com o aumento dos problemas de saúde ligados ao vício em jogos, o Sistema Único de Saúde (SUS) ampliou o número de teleatendimentos mensais a pessoas que enfrentam problemas relacionados a apostas online.

Com o anúncio de proibição das bets, na sexta-feira (25), o Ministério da Saúde anunciou que aumentará os esforços para contatar apostadores contumazes, oferecendo acompanhamento e tratamento nos casos necessários. Segundo o ministro Alexandre Padilha, haverá políticas de busca ativa, a partir de dados compartilhados pelos ministérios da Fazenda e da Segurança e pela Receita Federal. 

*Nomes fictícios a pedido dos entrevistados

Por Agência Brasil

9.25.2026

EVITE o perigo

Por razões que os cientistas ainda não conseguem explicar, algumas pessoas sofrem convulsões repentinas ao ouvir certas notas ou temas musicais. Um acorde de sol menor, por exemplo, pode desencadear crises em alguns indivíduos. Pesquisadores descreveram o caso de um homem de 62 anos que perdia a consciência repetidamente enquanto ouvia rádio, sempre às 20h59. Posteriormente, descobriu-se que os ataques eram provocados pelo som dos sinos da igreja Bow Church, transmitidos pela BBC pouco antes das notícias das nove.

Um dos casos mais impressionantes foi o do crítico musical Nikonov, que sofreu sua primeira convulsão ao ouvir a ópera O Profeta, de Meyerbeer. Com o tempo, tornou-se tão sensível, que qualquer melodia, mesmo suave, desencadeava novas crises. A música de fundo de Wagner, por exemplo, provocava espasmos incontroláveis. Apreciador da arte musical e músico por profissão, Nikonov teve que abandonar sua carreira. Se ouvisse uma banda na rua, tapava os ouvidos e fugia. Sua fobia se tornou tão intensa que escreveu um panfleto intitulado Medo da Música.

Assim como aconteceu com Nikonov, certas situações podem causar sérios danos à nossa saúde espiritual. Assuntos aparentemente inofensivos podem desencadear crises em nossa caminhada cristã. Alguns não toleram uma simples brincadeira e reagem com raiva ou ressentimento. Outros dependem tanto da aprovação alheia que uma crítica, por menor ou bem-intencionada que seja, pode gerar uma crise espiritual. Há quem busque refúgio no álcool ou em outras drogas, com consequências devastadoras. Até mesmo nossa profissão ou algo que apreciamos pode estar afetando nossa relação com Deus.

Por isso, é essencial refletir e identificar os gatilhos que enfraquecem nossa vida espiritual. Não importa o quanto certas práticas sejam recomendadas ou aceitas, o melhor é se afastar antes que seja tarde demais. Lembre-se do conselho bíblico: “O prudente vê o mal e se esconde; mas os ingênuos seguem em frente e sofrem as consequências” (Provérbios 22:3). Seja protagonista de sua caminhada espiritual, escolhendo com sabedoria o que fortalecerá sua fé.

Fonte: https://mais.cpb.com.br/meditacao/evite-o-perigo/

9.24.2026

Na nova fase da OPERAÇÃO CARBONO OCULTO em SP os órgãos de segurança investigam FRAUDE NA COMPRA DE DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS

Polícia e MP deflagram nova fase da Operação Carbono Oculto em SP

Órgãos investigam fraude na compra de distribuidora de combustíveis.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ligado ao Ministério Público de São Paulo, e a Receita Federal fazem nesta manhã de quinta-feira (24) a terceira fase da Operação Carbono Oculto.

Os órgãos investigam, com apoio da Polícia Federal e Receita Federal, estrutura complexa de lavagem de dinheiro para viabilizar a compra de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.

A suspeita é de estrutura criminosa montada busca ocultar o controle de usina sucroalcooleira. Fintechs foram utilizadas para fazer movimentação financeira da organização criminosa.

As autoridades conseguiram identificar uma operação ligada à usina no valor aproximado de R$ 370 milhões. Toda a movimentação do montante foi feita através da estrutura criada pelos criminosos para conferir uma aparência de legitimidade à operação, dificultando a identificação dos beneficiários finais.

Entre os alvos estão executivos de um banco e de empresas, como a Entre Investimentos, do empresário Antônio Carlos Freixo Junior (o Mineiro), que tem ligações com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master que está preso devido a fraudes no sistema financeiro.

"A Entre é uma administradora de recursos que funcionou também como instrumento de ocultação e lavagem de dinheiro para que essa usina, que já era de organizações criminosas, pudesse adquirir uma distribuidora de combustível, ocultando a real propriedade de quem, de fato, passou a comprar essas distribuidora de combustível que já está fechada por determinação da Justiça e de órgãos competentes", disse o ministro da Fazenda Dario Durigan nesta manhã.

Durigan disse ainda que, após as investigações da Receita Federal e do Ministério Público de São Paulo, foi identificado que a Entre "recebe dinheiro do crime organizado, ajuda na ocultação de patrimônio de forma que, não só uma usina de etanol mas também uma distribuidora de combustível passassem a atuar no mercado numa concorrência bastante desleal com o setor formal".

De acordo com o ministro, esta terceira fase da Carbono Oculto identificou uma movimentação de R$ 11 bilhões "por essas várias camadas da 'lavanderia' que virou parte do nosso sistema financeiro".

Fonte: Agência Brasil

9.23.2026

ELEIÇÕES 2026: ELEITORES de todo o país irão às urnas em HORÁRIO UNIFICADO

Medida permite a divulgação dos primeiros votos apurados para todos os cargos logo após as 17 horas.

Em 2026, os eleitores de todo o Brasil irão às urnas em um horário unificado: entre 8 e 17 horas, no horário de Brasília. Assim que acabar o horário de votação, os primeiros votos apurados para qualquer cargo em disputa já poderão ser divulgados.

A divulgação de todos os resultados ao mesmo tempo não era possível antes de 2022 (quando a unificação passou a valer), por conta dos fusos horários diferentes.

Confira página especial da Câmara sobre as Eleições 2026

"Não podia divulgar os resultados para presidente da República, porque isso poderia, de alguma forma, influenciar o eleitor que ainda estava na fila. A gente divulgava o resultado de governadores e do Parlamento (deputados e senadores), mas não divulgava de presidente até dar 19 horas, pois eram 17 horas no Acre e no Amazonas", explica o especialista em direito eleitoral Bruno Andrade.

Caminho do voto

Depois que todos os eleitores que estavam na fila terminam de votar, o presidente da mesa encerra a votação na urna eletrônica. A partir daí, a urna não recebe novos votos e são gerados os arquivos necessários para a apuração.

O caminho do voto: da seção eleitoral ao resultado

Para enviar os dados de totalização dos votos no sistema da Justiça Eleitoral, é usada a mídia de resultado. É como um pen drive protegido por travas eletrônicas de segurança que cada urna tem.

Próximas etapas

Depois da eleição, candidatos e partidos precisam apresentar à Justiça Eleitoral a prestação final das contas de campanha. Em 2026, o prazo termina em 3 de novembro para quem concorreu apenas no primeiro turno. Para os candidatos que disputarem o segundo turno, a prestação de contas referente aos dois turnos deverá ser apresentada até 14 de novembro.

Na diplomação, a pessoa eleita recebe o diploma, documento da Justiça Eleitoral que registra seu nome, o partido, federação ou coligação pela qual concorreu e o cargo para o qual foi eleita. No caso dos suplentes, o documento também informa a classificação.

Esse último dado é importante para os deputados porque os parlamentares não se elegem só pela maioria dos votos. São os partidos e as federações que ganham cadeiras na medida em que recebem mais votos dos eleitores em relação ao total de votos válidos.

Saiba como funciona a eleição para deputados

"Essas cadeiras vão para os melhores colocados dentro do partido ou federação. Se os concorrentes identificarem algum problema nesse cálculo, podem entrar com um recurso depois da diplomação", acrescenta.

Segundo o especialista, o diploma tem duas funções. A primeira é simbólica: formaliza o reconhecimento de que a pessoa foi eleita. A segunda é jurídica: a diplomação também serve como marco para prazos de questionamento do resultado eleitoral.

Candidaturas indeferidas

Segundo Bruno Andrade, quando o registro de uma candidatura está sub judice, há outro fator complicador. O candidato pode continuar na disputa enquanto essa situação permanecer.  Se o eleito estiver com o registro indeferido, mesmo que a decisão ainda esteja sob recurso, ele não poderá ser diplomado.

"Nesse caso, assume o presidente da Câmara, no caso do presidente da República, e ou o presidente da Assembleia Legislativa Estadual, no caso de governador. Ele fica interinamente enquanto não resolve o problema. Se foi confirmado o indeferimento do processo, tem que ter nova eleição", explica.

Posse

Se a diplomação acontecer com sucesso, a pessoa eleita pode tomar posse. A cerimônia é um rito obrigatório, que marca o início da atividade no cargo, embora eventuais processos eleitorais ainda possam continuar em tramitação.

"A partir desse exercício de mandato é que a pessoa vai poder tomar medidas como parlamentar. Pode participar de votações, ser escolhido representante da Maioria, da Minoria, compor bancada", afirma Bruno Andrade.

"Com a posse é que a gente começa a ter esses atos de parlamentar efetivamente. Antes disso, ele tem a proteção enquanto parlamentar, porque já está diplomado, mas ainda não exerce efetivamente as tarefas de um parlamentar", conclui.

Fonte: Agência Câmara de Notícias 

9.22.2026

"O BRASIL NÃO CABE NO QUINTAL DE NINGUÉM", diz Lula em discurso na ONU

Presidente defendeu a soberania dos países.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender a soberania dos países, citando especificamente os cenários da América Latina e do Brasil, onde, segundo o presidente, há tentativas de influência estrangeira sobre processos políticos nacionais.

Lula disse que a região da América Latina e do Caribe convive com pressões decorrentes da proximidade com grandes potências.

“Na América Latina e Caribe, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável, sobretudo no contexto do recrudescimento de tentações hegemônicas. O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, afirmou durante discurso na cerimônia de abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (22) em Nova York.

“Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais, a divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais com recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos”, destacou, ao citar contextos recentes registrados na Venezuela, na Nicarágua, no Haiti e em Cuba.

Segundo o presidente, a região percorreu um longo caminho para consolidar regimes democráticos após períodos de ditadura e autoritarismo. Nesse contexto, ele defendeu maior integração regional e o respeito à autodeterminação dos povos.

"Precisamos de parceiros com uma agenda positiva que fomente o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não devem ser obstáculo para uma maior integração entre vizinhos. Os países da região reconheceram os horrores dos regimes de exceção. Percorremos um longo caminho para restaurar a vontade popular", disse.

Democracia em xeque

Lula também alertou para o que classificou como retorno de práticas incompatíveis com a ordem internacional contemporânea. "A democracia está novamente em xeque", afirmou. Em seguida, acrescentou que o mundo voltou a assistir à "ingerência externa em processos eleitorais", à divisão de países em zonas de influência e a "investidas neocoloniais" em busca de recursos estratégicos.

Ao citar países da região, o presidente afirmou que cada povo deve definir seu próprio caminho. Segundo ele, o povo venezuelano deve decidir seu destino sem interferências externas, enquanto a Nicarágua não solucionará seus problemas impedindo a participação da oposição nas eleições.

Lula também mencionou a crise humanitária no Haiti e voltou a criticar o embargo econômico imposto a Cuba.

Redes de desinformação

Lula também citou a atuação de redes de desinformação durante campanhas eleitorais e afirmou que o Estado brasileiro estará atento a possíveis tentativas de interferência.

"Não subestimamos o desafio das redes de desinformação que pretendem contaminar o debate público durante a campanha", afirmou.

Em seguida, ressaltou a confiança nas instituições e no sistema eleitoral do país.

"Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos ou externos, atentem contra a vontade popular. O Brasil continuará sendo um país soberano. Ninguém nos afastará desse caminho", declarou.

Negacionismo

Lula destacou ainda os perigos das chamadas fake news, sobretudo no que diz respeito aos achados científicos em temas como saúde e meio ambiente. “Na era da desinformação, os obscurantistas resistem às evidências da ciência”, disse, ao defender o combate ao negacionismo.

“Nunca esqueceremos das milhões de vidas perdidas pelo descaso no enfrentamento à covid-19. Campanhas contra vacinas estão trazendo de volta doenças que julgávamos estar erradicadas. Enfraquecer a Organização Mundial da Saúde (OMS) torna todos mais vulneráveis.”

“Até pouco tempo, a reposta à mudança do clima estava consolidada no centro da agenda internacional. Este ano, o tema desapareceu dos debates do G7 e do G20, fóruns que reúnem os maiores emissores de carbono do mundo. É hora de retomar a ofensiva e impor uma derrota ao negacionismo.”

Segurança pública

Ao tratar da segurança pública, Lula rejeitou a participação de forças estrangeiras no combate ao crime organizado em território nacional e defendeu a cooperação internacional em áreas específicas, como o combate ao tráfico de armas e à lavagem de dinheiro.

"Não vamos transferir a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo", afirmou.

O presidente acrescentou que o enfrentamento ao crime deve ocorrer por meio da cooperação entre governos, e não por ações militares externas.

"Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas; precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastece o crime organizado", disse.

Segundo Lula, o Brasil apresentou aos Estados Unidos proposta de cooperação para combater a lavagem de dinheiro realizada por criminosos brasileiros no exterior.

O presidente também afirmou que o país vem fortalecendo a coordenação entre os estados e ampliando as ações de combate às organizações criminosas.

Fonte: Agência Brasil

9.21.2026

O bolsonarismo agora é mais silencioso, MAS TÃO NOCIVO QUANTO FOI UMA VEZ

Por Julián Fuks Colunista de Eco

Em política, como em todo assunto que vale a pena, há sempre algo que permanece incompreendido. Tudo agora é quase idêntico ao que já vimos no cenário brasileiro, estamos diante da mesma eleição travada outras vezes, a mesma eleição que nos incendiou há oito e há quatro anos, que exigiu de nós a máxima verve e o máximo empenho. E, no entanto, há algo de diferente, uma mudez maior espalhada por toda parte, uma apatia que não se confunde com indiferença, a entrega a um desfecho que parece além do nosso alcance, que nos transcende. E assim a data fatal se aproxima e tudo segue com alguma discrição, imprevisível e incerto.

Quando a realidade é tão conhecida e ainda assim provoca estranhamento, parece que a razão estremece, a linguagem costumeira já não explica o que os olhos veem. Penso isso a cada vez que volto a ler as profusas explicações sobre o bolsonarismo, esse movimento que tomou de assalto o país e lhe deu uma face irreconhecível, face em que se acentuam seus traços mais sinistros. Por alguns anos essas explicações foram reveladoras, elucidaram algo do horror do país ao passo que o associaram a horrores mais vastos, ao crescimento da extrema direita que tem se dado no mundo inteiro. Agora não sei, é possível que tais ideias continuem tão precisas quanto antes, mas ainda assim se mostram insuficientes.

Que o bolsonarismo é uma forma de fanatismo, a busca de uma certeza equívoca num mundo que se fez complexo, a recusa da razão em nome de uma mentira mais simples. Que é a expressão política do ressentimento, da frustração de uns homens que queriam um futuro mais próspero para si mesmos, e que tudo tumultuam quando não o obtêm. Que é a manifestação de um ódio também, ódio por tudo aquilo que o sujeito não reconhece, ódio por transformações sociais e culturais que o excedem e o amedrontam. Ou que é em alguma medida a sublimação disso, a conversão do ódio num tipo estranho de encantamento, de pertencimento, recuperação da fantasia no universo político, mesmo que para isso precise se valer da mentira como método.

Cada uma dessas hipóteses continua válida, sim, e seu conjunto é ainda bastante expressivo, mas sinto que não condiz por completo com o cenário que hoje vemos. Esse bolsonarismo que os teóricos descreveram era eufórico, intenso, raivoso, festivo. Levava multidões em furor às ruas e às redes, perseguia com afinco seus inimigos — e me lembro bem disso porque há exatos quatro anos estava eu sendo ameaçado de morte pelo que escrevia, eu como tantos outros jornalistas. Hoje é tudo mais sutil, mais ameno em aparência, hoje as ruas estão vazias e são mais suaves os embates nas redes. E ainda assim as pesquisas apontam uma horda impressionante de eleitores dispostos a votar naquele mesmo projeto destrutivo e caótico.

O bolsonarismo já não tem o mesmo poder de engajar e insuflar os seus apoiadores, e no entanto parece ter se consolidado como força eleitoral perene, resistindo até à condenação e aos vexames sucessivos de seus líderes. Ao que parece, seu eleitor comum agora não é um sujeito inflamado, e sim desiludido, sempre em posse de seu vago inconformismo pelos rumos da política, sem saber direcionar aquilo que sente. Já não vota convicto, mas vota impreterivelmente nesse projeto que não admira, vota apesar de si mesmo, apesar de seu próprio descontentamento.

Alguém poderá trazer aqui a explicação que faltou ali em cima, alegar que o bolsonarismo não é mais que a feição extrema que assumiu no Brasil o conservadorismo, essa sim uma força política arraigada em muitos recantos do país. Mas, numa definição das mais elementares, o conservadorismo deveria ser o simples desejo de manter as coisas como estão, de impedir que elas se transformem rapidamente. E, convenhamos, agora que bem a conhecemos na oposição e no poder, quem de fato veria qualquer ímpeto de conservação nessa família disruptiva, essa família que tem feito da política um caos absoluto, um tumulto sem fim?

Há uma contradição aí, alguma dissonância, e talvez por isso estejamos um pouco perdidos também os opositores desse projeto que já sabemos terrível. Por um momento pareceu que queríamos todos uma eleição silenciosa, que o processo passasse quase despercebido, para que as forças brutais não despertassem e tomassem as ruas como há alguns anos. Não tem adiantado: mesmo dormentes tais forças podem vir a assumir o poder no país, e hão de ser tão nocivas quanto foram uma vez, como têm sido desde sempre. Será preciso decifrar esse mistério tão logo quanto possível. "Observar cuidadosamente significa desmontar", já disse Herta Muller, e já sabemos nós que é preciso desmontar essa bomba com urgência.

Fonte: uol.com.br

9.20.2026

MPT contabiliza 463 denúncias de ASSÉDIO ELEITORAL em todo país

Por Agência Brasil

Suspeitas encaminhadas ao Ministério Público do Trabalho em setembro supera o número registrado no mesmo mês em 2022; veja como denunciar casos de assédio eleitoral.

O Brasil já contabiliza 463 denúncias de assédio eleitoral no ambiente laboral neste ano, de acordo com o MPT (Ministério Público do Trabalho). São Paulo (59), Rio de Janeiro (50) e Minas Gerais (47) são os estados com mais casos neste ano eleitoral.

Assédio eleitoral no trabalho é toda prática ligada ao processo eleitoral que tenta influenciar ou constranger a orientação política, a manifestação eleitoral ou o voto de trabalhadores. Pode envolver ameaças, promessas de benefícios, discriminação ou pressão por apoio a determinada candidatura, inclusive em ambientes virtuais relacionados ao trabalho, como e-mail e intranet.

“O ambiente de trabalho não é um espaço para a prática de propaganda eleitoral”, diz o procurador Igor Souza Gonçalves, procurador do Ministério Público do Trabalho. Ele é coordenador nacional de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho do MPT. 

Um dos casos ocorreu em Brasília, onde vigilantes e empregados da empresa 5 Estrelas Sistemas de Segurança teriam sido convocados para comparecer a eventos fora da jornada regular de trabalho em que candidatos pediram votos. Após denúncia do MPT, a Justiça do Trabalho proibiu a companhia de praticar assédio eleitoral. 

Pela decisão, a empresa não pode convocar ou promover eventos que sejam usados para manifestações político-partidárias, nem distribuir material de propaganda eleitoral ou adotar “práticas voltadas a influenciar, direcionar, induzir ou interferir na orientação política ou no voto dos empregados e trabalhadores”.

Procurada, a 5 Estrelas afirmou que “pauta sua atuação pelo estrito cumprimento da legislação e pelo respeito à liberdade de escolha e de manifestação de seus colaboradores” e que a empresa não adota como prática institucional “qualquer forma de orientação político-eleitoral de seus empregados, tampouco autoriza o uso de suas estruturas e atividades para tal”. Também disse que está à disposição das autoridades competentes.

Salto de denúncias em setembro

Das 463 denúncias recebidas pelo MPT em 2026, 199 ocorreram em setembro (38% do total), mês que ainda não acabou. Em 2022, o órgão tinha recebido 68 reclamações em todo o mês. 

A expectativa do MPT é que o número de denúncias aumente entre o primeiro e o segundo turno, já que esse foi o período com mais casos registrados em 2022, segundo Gonçalves.


O aumento de denúncias próximo ao pleito pode ser explicado pela maior conscientização da população e das empresas sobre o que é assédio eleitoral, diz o procurador. 

“Algumas práticas que hoje chamamos de assédio eleitoral já eram conhecidas por toda a sociedade brasileira antes desse fenômeno. Mas foi em 2022 que começamos a construir esse conceito, a partir de uma enxurrada de denúncias que chegavam ao Ministério Público do Trabalho”, explica. 

“É importante destacar a grande participação dos sindicatos, a assinatura de TACs [Termos de Ajustamento de Conduta] e de recomendações do MPT, além de cartilhas que foram amplamente reproduzidas naquele contexto”, continua Gonçalves. O total de denúncias em 2022 chegou a 3.500.

Saiba identificar e denunciar

O assédio eleitoral pode ocorrer quando há promessas de benefícios ou vantagens oferecidas a trabalhadores relacionadas à escolha do voto ou à posição política. 

Também pode acontecer em situações que envolvem ameaças de prejuízo ao emprego ou às condições de trabalho associadas ao voto ou à posição política, além de constrangimentos e humilhações. 

Entre as situações que são investigadas por assédio eleitoral estão:

  • a exigência do uso de uniforme, camiseta, boné ou outros símbolos associados a uma candidatura; 

  • a realização de reuniões no trabalho para apresentação de candidatos ou orientação política; 

  • a convocação de trabalhadores para campanhas, postagens ou abaixo-assinados eleitorais; 

  • a definição de escala e local de trabalho no dia da eleição que favoreça o voto apenas de trabalhadores que afirmem apoiar determinado candidato; 

  • a realização de pesquisas ou enquetes sobre intenção de voto no ambiente de trabalho. 

Qualquer pessoa pode apresentar denúncias ao MPT. O órgão recebe reclamações pelo site, por telefone, por e-mail ou presencialmente em suas unidades. Podem ser apresentados como evidências da denúncia: mensagens, e-mails, publicações em redes sociais, documentos, imagens, áudios, vídeos, registros em canais internos e informações de testemunhas.

“Além da simples captura de tela, é importante que o trabalhador tente fazer também, caso ele consiga, a gravação da tela [do celular ou do computador], porque isso ajuda a preservação daquela prova digital”, orienta Gonçalves, do MPT.

Segundo o procurador, a simples captura de tela tem mais chance de ser impugnada judicialmente. “[Gravar] tem maior chance de que aquela prova consiga ser aproveitada, sem a discussão de que se está escolhendo o que está postando e, de algum modo, tentando manipular aquela imagem.”

Fonte: https://reporterbrasil.org.br/2026/09/mpt-contabiliza-denuncias-assedio-eleitoral-brasil/


SAIBA como as BETS ADOECERAM E ENDIVIDARAM muitos brasileiros

A penas em 2025, as famílias brasileiras perderam R$ 62 bi em apostas. “ Um grande alívio.” Foi assim que Kaio*, de 42 anos, definiu o sen...