Plataforma
disponibiliza filmes nacionais clássicos e contemporâneos.
O governo lançou oficialmente neste sábado
(30) a plataforma Tela Brasil, o streaming público e gratuito de audiovisual
brasileiro.
A iniciativa tem o objetivo de democratizar o
acesso da população à cultura brasileira, a partir da ampliação do alcance da
produção nacional.
A plataforma coordenada pelo Ministério da
Cultura e desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Alagoas vai
disponibilizar filmes brasileiros sob demanda, com acesso integrado ao site
Gov.br.
No lançamento do streaming, na Cidade das
Artes, na zona Oeste do Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva destacou que a plataforma é uma ferramenta de soberania cultural para que os brasileiros conheçam a si mesmos.
“[A Tela
Brasil} vai contribuir para a elevação da compreensão de um país chamado
Brasil. Por que nós somos assim? Por que nós fazemos assim?"
O presidente também criticou o excesso de
conteúdos estrangeiros nas telas do país, que ele considera de baixa qualidade.
“A quantidade de enlatados de má qualidade
que a gente é obrigado a assistir toda noite, porque não tem outra coisa para a
gente ver. O que não permite que a juventude brasileira tenha acesso à
plenitude da cultura brasileira", lamentou Lula.
O
presidente também chamou a atenção para o desconhecimento sobre o peso
econômico e a quantidade de empregos gerados pelo setor cultural brasileiro
para o desenvolvimento econômico e profissional.
“O mais
importante é a gente conhecer o nosso país por dentro, conhecer a nossa
cultura, a razão das coisas que fizeram a gente chegar onde nós
chegamos”, disse Lula.
Por fim, o presidente fez a conexão com
outras políticas públicas de sua gestão, como o recém-lançado MEC Livros, que já conta com o acervo de mais de
25 mil livros. Ele destacou que o acesso à cultura, agora, faz parte da
política de habitação do governo. “Todo o conjunto habitacional que a gente
entregar, nesse país, vai ter uma biblioteca para que a pessoa tenha acesso à
cultura."
O projeto contou com um investimento de
R$ 9 milhões entre 2024 e 2025. Segundo o governo, o valor garantiu o
licenciamento de um catálogo diversificado, desenvolvimento tecnológico próprio
e ferramentas completas de acessibilidade.
Histórias ainda não contadas
Presente no
lançamento, a ministra da Cultura, Margareth Menezes disse que a motivação de
criar a plataforma foi fazer com que o povo brasileiro tenha acesso ao direito
cultural.
“Na questão
do audiovisual, nós temos um gargalo ainda muito grande na questão da
distribuição. Como fazer o povo ter acesso a tudo o que se produz, às coisas
que são importantes, que referenciam o nosso país?
Ela destacou
que o audiovisual agrega todas as outras artes como a música, o desenho. “Todo
mundo trabalha e tem essa representatividade. A nossa diversidade está no que a
gente produz, só que o povo não tinha acesso.”
Em sintonia
com o discurso do presidente Lula, a ministra celebrou a soberania, a
miscigenação e a necessidade de resgatar o protagonismo das figuras históricas
do país.
"O povo
que se conhece, o povo que se vê, ele se fortalece, porque nossas histórias são
lindas. Temos os povos originários, os povos africanos, os povos europeus, as
pessoas que construíram esse país, as histórias que nunca foram contadas.”
Acervo da nova plataforma
O acervo inaugural une conteúdos financiados pelo Fundo Setorial do
Audiovisual (FSA), obras guardadas por instituições do Sistema MinC, como a
Cinemateca Brasileira, o Centro Técnico Audiovisual (CTAv), a Funarte e a
Fundação Cultural Palmares.
O foco é a diversidade, englobando o cinema negro, o cinema indígena,
produções dirigidas por mulheres, e temas urgentes como justiça climática e
sustentabilidade.
A Tela Brasil já chega com acervo que cobre desde clássicos históricos de
1910 até produções contemporâneas, de 2025.
Ao todo, a
plataforma inicia com 555 obras audiovisuais brasileiras, divididas em:
·
267 curtas-metragens;
·
139 longas-metragens;
·
85 médias-metragens
ou telefilmes;
·
64 obras
seriadas.
Entre elas: A Hora
da Estrela, de Suzana Amaral; Xica da Silva, de Cacá Diegues; Central do
Brasil, de Walter Salles; e Cidade de Deus, de Fernando Meirelles.
Deus e o Diabo na
Terra do Sol (1964), de
Glauber Rocha; Carandiru (2003), de Hector Babenco; e Olga (2004),
de Jayme Monjardim, são outras obras de destaque.
O catálogo inicial
inclui 19 títulos que já representaram o Brasil na disputa
pelo Oscar ao longo da história.
Entre as
categorias listadas pelo Ministério da Cultura estão obras para a
infância, juventude, de artes e de brasilidade.
Na parte de
diversidade cultural, entrou a categoria Africanidades, que reúne
obras audiovisuais que narram trajetórias, memórias e experiências da população
negra no Brasil, entrelaçando ancestralidade e contemporaneidade.
Acessibilidade é outro ponto central do projeto: todos os títulos
selecionados via edital público contam com audiodescrição, legendagem descritiva
e interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras).
"Importante
destacar que tem pesquisa no meio sobre acessibilidade. São obras com três
recursos de acessibilidade, que envolvem também discussão sobre preservação e
memória. Há soluções tecnológicas e soluções jurídicas sobre regulamentação. É
política pública baseada em pesquisa e evidência", disse a professora
Luciana Peixoto Santa Rita, que participou do projeto pela UFAL.
Perfis de utilização
Para começar a
navegar, o usuário precisa de uma conta ativa no sistema de login único do
governo federal, o Gov.br. A plataforma tem duas formas de navegação:
Perfil
Cidadão: qualquer pessoa pode acessar de forma individual e gratuita a
filmes, séries e documentários organizados por gêneros, formatos e categorias,
além de criar uma lista de favoritos.
Perfil
Direcionado: criado especialmente para exibições coletivas e sem fins
comerciais em salas de aula, cineclubes, pontos de cultura, bibliotecas e
museus de todo o país.
Numa primeira
fase, a plataforma funciona diretamente no navegador de computadores (com opção
de transmissão para Smart TVs). Os aplicativos para celulares (Android e iOS)
serão disponibilizados em um prazo de 30 dias.
Parcerias
Durante o evento,
também foi assinado um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre o Ministério da
Cultura (MinC) e a TV Brasil,
emissora pública da Empresa Brasil de
Comunicação (EBC) para
expandir a oferta, a circulação de conteúdos e a integração das políticas
públicas para o audiovisual brasileiro.
A Tela Brasil foi
desenvolvida com tecnologia brasileira, pelo Ministério da Cultura (MinC) com o
apoio da Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
Fonte: Por
Agência Brasil