4.04.2026

A pequena loucura de CIRO

Ciro, o Grande, entrou para a história como o protótipo do monarca sábio. Porém, uma pequena tolice, um simples ato de arrogância, manchou seu histórico e lhe custou a vida.

Em 550 a.C., Ciro reuniu um enorme exército e marchou contra seu avô Astíages, rei dos medos. Ele o derrotou facilmente e se proclamou rei da Média e da Pérsia. Em rápida sucessão, conquistou vitória após vitória: derrotou Creso, rei da Lídia, e marchou contra Babilônia, esmagando-a em 539 a.C. Então tornou-se Ciro, o Grande, governante do mundo.

Depois de se apoderar das riquezas de Babilônia, Ciro voltou sua atenção para o leste, para as tribos bárbaras. Os masságetas, uma tribo feroz e guerreira, eram governados pela rainha Tômiris. Embora não tivessem riquezas, Ciro decidiu atacá-los, acreditando ser invencível.

Quando Ciro chegou na fronteira dos masságetas, recebeu uma carta da rainha Tômiris, que dizia: “Rei dos medos, aconselho-o a abandonar seu empreendimento, pois você não sabe se terá lucro. Governe seu povo e aceite que eu governe o meu. Mas suponho que você rejeitará minha advertência, pois a última coisa que deseja é viver em paz.”

Ciro usou um ardil para derrotar o exército masságeta. Sabendo que eles não conheciam o luxo, organizou um banquete, deixou um pequeno destacamento para vigiá-lo e se retirou. Os masságetas derrotaram o destacamento e se fartaram com as delícias do banquete, adormecendo em seguida. Ciro então atacou, derrotou todo o exército e capturou o comandante, filho da rainha Tômiris.

A rainha escreveu a Ciro: “Devolva-me meu filho; caso contrário, juro pelo Sol que lhe darei mais sangue para beber do que você seja capaz de consumir.”

Ciro se recusou a libertar o jovem, que cometeu suicídio. Ao saber da morte de seu filho, Tômiris, cheia de ira, convocou seu povo para uma guerra sangrenta. Os masságetas venceram, e Ciro morreu. Tômiris cortou sua cabeça e a mergulhou em um barril de sangue humano para cumprir sua ameaça. Um ato de arrogância destruiu suas conquistas.

Tenha cuidado, não deixe que a arrogância ofusque tudo de bom que você fez até agora.

Assim como a mosca morta faz o óleo do perfumador exalar mau cheiro, assim também uma pequena tolice pode ter mais peso do que a sabedoria e a honra. Eclesiastes 10:1.

Fonte: https://mais.cpb.com.br/meditacao/a-pequena-loucura-de-ciro/

4.03.2026

Tratamento HERÓICO

Em medicina, existe um conceito chamado "tratamento heroico". Menos comum hoje do que no passado, talvez próprio do tempo em que a medicina fazia mais mal do que bem, ele se aplica a situações extremas. Por exemplo, se o médico faz uma intervenção radical, inova numa emergência, usa aparelhos ou remédios não convencionais, tenta solucionar um caso desesperador, opera sem anestesia, arrisca uma traqueostomia com um canivete para inserir um tubo de ar, ousa ir além dos parâmetros da ciência na tentativa de salvar o paciente, tudo isso é con­siderado um tratamento heroico.

Não sei quem inventou o termo, nem quem é o herói (se é o médico ou o paciente), mas sei que o procedimento, às vezes, pode funcionar. Quando eu era menino e quase decepei o polegar com um facão, meu pai, que era um excelente farmacêutico prático, fez um tratamento heroico, e o dedo ficou perfeito. Com seu toque de ousadia e risco, o tratamento heroico tem grande apelo, pois o herói atua nos limites da vida para resgatar alguém das garras da morte.

O maior tratamento heroico do universo foi feito por Cristo, que derramou o sangue para salvar a humanidade. Alguém pode argumentar que o procedimento já estava previsto desde a eternidade, ou, nas palavras de Pedro, era "conhecido antes da criação do mundo" (1Pe 1:20), e, portanto, não foi heroico. Mas foi heroico, sim, pois nunca tinha sido feito antes, era uma solução radical, o risco de não dar certo era real e, no processo, o "médico" teve que entregar a própria vida.

Infeccionados pelo pecado da cabeça aos pés, coração batendo irregularmente, cérebro dando sinais estranhos, todos nós estávamos condenados à morte certa. Tensão no ar, o universo inteiro observava para ver se a humanidade seria deixada a morrer sem esperança ou se haveria uma tentativa de salvação. Valeria a pena arriscar?

Com seu heroísmo inigualável, Cristo assumiu o risco e nos devolveu a vida. Coroa de espinhos na cabeça, o sangue escorrendo gota a gota, mãos crava­das no madeiro, lábios trêmulos, coração partido, ele suportou tudo por você. Experimentou a dor para que você tivesse prazer, encarou a morte para que você ganhasse a vida, enfrentou a vergonha para que você recebesse honra.

Esse tratamento heroico - ousado, único, singular, irrepetível, eficaz - merece demorados aplausos e entusiasmadas expressões de gratidão. Nenhum outro médico poderia ter conseguido o que o Médico dos médicos conseguiu. Por causa dele, você está salvo.

Pois vocês sabem que não foi por meio de coisas perecíveis como prata ou ouro que vocês foram redimidos [...], mas pelo precioso sangue de Cristo. 1 Pedro 1:18, 19

Fonte:https://esperancadoadvento.blogspot.com/2016/11/tratamento-heroico.html 

O PIX é do BRASIL, do POVO BRASILEIRO

Lula defende o Pix após críticas em relatório comercial dos EUA. Presidente afirmou em Salvador que o sistema do Banco Central (BC) deve ser aprimorado.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu, na quinta-feira (2), críticas ao sistema de pagamentos instantâneos do Brasil, o Pix, feitas em um relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos. Em evento em Salvador (BA), Lula afirmou que o Pix deve ser aprimorado para atender às necessidades dos brasileiros.

O Pix é do Brasil e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix, pelo serviço que ele está prestando a sociedade brasileira”, disse Lula, sobre o sistema do Banco Centra (BC).

De acordo com o relatório anual do comércio estadunidense, as empresas daquele país temem que Banco Central dê tratamento preferencial ao sistema do Pix, em detrimentos de outros sistemas de pagamentos.

O Banco Central do Brasil criou, detém, opera e regula o Pix, uma plataforma de pagamentos instantâneos. Nos Estados Unidos, partes interessadas expressaram preocupação com o fato de o Banco Central do Brasil conceder tratamento preferencial ao Pix, que desfavorece os fornecedores de serviços de pagamento eletrônico dos Estados Unidos. O Banco Central exige o uso do Pix por instituições financeiras com mais de 500 mil contas”, diz o documento.

INVESTIGAÇÃO

No ano passado, o país governado por Donal Trump abriu uma investigação interna contra práticas comerciais do Brasil que consideram supostamente “desleais”. Entre elas, o Pix. Um dos motivos especulados para a medida é de que o BC teria favorecido o Pix em detrimento do WhatsApp Pay em 2020. O aplicativo é da empresa Meta, do empresário Mark Zuckerberg, aliado de Trump.

Na ocasião, o Ministério das Relações Exteriores respondeu que o Pix visa a segurança do sistema financeiro, sem discriminar empresas estrangeiras. A defesa brasileira destacou que a administração pelo BC garante neutralidade ao sistema de pagamentos instantâneos e que outros bancos centrais, inclusive o Federal Reserve (Fed, Banco Central dos Estados Unidos) testam ferramentas parecidas.

O Pix foi lançado oficialmente no Brasil no dia 16 de novembro de 2020, mas os estudos para a implementação do novo sistema de pagamento existiam pelo menos desde maio de 2018.

Relatório de Estimativa do Comércio Nacional de 2026, dos Estados Unidos, foi divulgado no último dia 31 de março e trata sobre questões de diversos países que podem significar “barreiras” ao comércio exterior dos Estados Unidos.

Sobre o Brasil, o documento ainda aborda temas como mineração ilegal de ouro, extração ilegal de madeira, as leis trabalhistas brasileiras, legislações sobre plataformas digitais, a Lei Geral de Proteção de Dados, taxa de uso de rede e satélites.

Fonte: Agência Brasil

4.02.2026

PRESIDENTE quer anular leilão da Petrobras por VENDER GÁS ACIMA DA TABELA

Presidente diz que certame foi feito contra a vontade da estatal.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira (2), que vai anular o leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha, da Petrobras, que vendeu o produto às distribuidoras com preços até 100% maiores que os cobrados na tabela da estatal. 

Em entrevista à TV Record Bahia, Lula disse ainda que o certame foi feito contra a vontade da direção da Petrobras.

Foi feito um leilão, eu diria que uma cretinice, bandidagem, que fizeram. As pessoas sabiam da orientação do governo, da orientação da Petrobras de não vamos aumentar GLP. Pois fizeram um leilão contra a vontade da direção da Petrobras”, disse Lula. 

Nós vamos rever esse leilão, nós vamos anular esse leilão, porque o povo pobre não pagará, em hipótese alguma, o preço dessa guerra”, afirmou.

Embora o Brasil seja produtor, o mercado brasileiro é influenciado pelos preços internacionais, atualmente impactados pelo conflito no Oriente Médio. 

A estratégia de leilões com alto ágio é vista como uma forma de reajustar o preço nacional ao mercado internacional, sem a necessidade de anunciar um aumento na tabela de preços.

Em sua página na internet, a Petrobras informa os preços de venda dos produtos às distribuidoras à vista, sem tributos, por local e modalidade de venda. Os valores do GLP são os mesmos desde novembro de 2024.

O presidente Lula é crítico do alto preço do botijão de gás de cozinha cobrado do consumidor final e, em resposta, o governo federal lançou o programa Gás do Povo que substituiu o antigo Auxílio Gás e visa garantir o botijão gratuito para famílias de baixa renda. 

Para Lula, o que encarece o produto é a distribuição.

Quando a Petrobras vende um botijão de gás a R$ 37, ele não pode chegar a R$ 160 na casa do povo. Alguém está roubando. [Dizem:] ‘Ah, mas a pessoa está gastando dinheiro [tendo custo] para entregar’. Tudo bem, mas é muita diferença entre R$ 37 para R$ 140, para R$ 150. E agora fizemos um leilão que teve ágio de 100%”, disparou Lula.

ALTA DOS COMBUSTÍVEIS

O presidente voltou a criticar a guerra no Irã e os efeitos sobre o preço internacional do petróleo, que vem encarecendo o combustível, especialmente o óleo diesel, no caso brasileiro. O país importa cerca de 30% do que consome no mercado interno.

Segundo Lula, o governo está tomando medidas possíveis e adotará todas as providências para evitar uma escalada do preço do diesel, que impacta diretaente a inflação. 

Além da redução de impostos já adotada, a expectativa é que o governo publique, ainda esTa semana, uma medida provisória (MP) que cria um subsídio ao diesel importado, com desconto de R$ 1,20 por litro.

Pode ficar certo, o povo não vai pagar. Nós não vamos aumentar o óleo diesel, [mas] tem gente [postos] aumentando sem nenhuma necessidade. Qual é a lógica de aumentar o preço do álcool? Qual é a lógica de aumentar o preço da gasolina se nós ainda não temos necessidade disso? É pura bandidagem de algumas pessoas”, afirmou Lula.

O presidente ainda criticou a privatização, em 2019, da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, que, segundo Lula, hoje poderia atuar para frear o aumento nos preços aos consumidores.

Privatizaram a BR [Distribuidora] e nós só podemos recomprá-la a partir de 2029. Ou seja, nós não temos hoje distribuidora. Até uma empresa de gás que eu comprei em 2004, eles venderam. A empresa de gás, que a gente faz a distribuição, era uma empresa para a gente fazer a regulação do preço”, disse Lula.

No mesmo sentido, o presidente afirmou que está em estudo da recompra da Refinaria de Mataripe, antiga Refinaria Landulpho Alves, em São Francisco do Conde, na Bahia, e privatizada pela Petrobras em 2021.

Não é justo o que fizeram, a refinaria produz [hoje] menos da metade daquilo que deveria produzir. E nós precisamos da refinaria produzindo muito mais porque nós [o Brasil] produzimos 70% do nosso óleo diesel e a gente compra 30% do óleo diesel. Esse importado, ele não tem jeito, ele vem com o preço de mercado internacional e você é obrigado a fazer o reajuste”, explicou.

Agência Brasil entrou em contato com a Petrobras para esclarecer as condições do leilão e aguarda retorno. O espaço segue aberto para manifestação.

Fonte: Agência Brasil

4.01.2026

Novos prazos para LICENÇA-PATERNIDADE valem a partir de 2027

Ampliação será gradual e alcançará 20 dias em 2029.

A lei que amplia os prazos da licença-paternidade entra em vigor em 2027 e concederá inicialmente mais cinco dias aos homens, a partir do nascimento do filho. Para 2026, o benefício permanece em cinco dias.

Publicada na edição desta quarta-feira (1°/4) do Diário Oficial da União, a Lei n° 15.371 prevê aumento gradual do benefício, que alcançará 20 dias de afastamento em 2029, sem prejuízo do emprego ou salário, assim como descrito a seguir:

  • 10 dias em 2027;

  • 15 dias em 2028;

  • 20 dias a partir de 2029.

Os novos prazos valem também para os casos de adoção ou de guarda judicial para fins de adoção de criança ou de adolescente. Veja aqui o que muda com a publicação da lei.
DISPENSA E FÉRIAS

É vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa do empregado no período entre o início da licença-paternidade até um mês após o término do benefício.

Além disso, a norma autoriza o empregado a usufruir férias no período subsequente ao término da licença, desde que comunique tal necessidade com antecedência de 30 dias da data esperada para o parto ou emissão de termo judicial.

INTERNAÇÃO

Em caso de internação hospitalar da mãe ou do recém-nascido, que tenha relação com o parto, a licença-paternidade será prorrogada pelo período equivalente ao da internação, e voltará a contar a partir da alta hospitalar da mãe ou do recém-nascido; o que ocorrer por último.

SALÁRIO-PATERNIDADE

O salário-paternidade será concedido aos empregados segurados pela Previdência Social, nos mesmos moldes já aplicados ao salário-maternidade. 

O benefício está condicionado à apresentação da certidão de nascimento do filho, do termo de adoção ou do termo de guarda judicial para fins de adoção, nos termos de regulamento.

Fonte: Agência Brasil

3.31.2026

HISTÓRIA - Golpe Militar de 1964

Golpe Militar de 1964 redesenhou o panorama político, social, econômico e cultural brasileiros pelas duas décadas seguintes. Executado no dia 31 de março daquele ano, o golpe levou à deposição de João Goulart e fez se instalar no país uma ditadura militar que durou até o ano de 1985.

Apesar de ter ocorrido no ano de 1964, o golpe passou a ser desenhado desde as primeiras medidas de João Goulart, conhecido como Jango. O cenário de sua posse em 07 de setembro de 1961 já era conturbado: desestabilidade política, inflação, esgotamento do ciclo de investimentos do governo Juscelino Kubitschek, grande desigualdade social e intensas movimentações em torno da questão agrária. Diante desse cenário e de acordo com suas tendências políticas, declaradamente de esquerda, Jango apostou nas Reformas de Base para enfrentar os desafios lançados a seu governo.

As Reformas de Base propunham diversas reformas: urbana, bancária, eleitoral, universitária e do estatuto do capital estrangeiro. Dentre elas, três incomodavam de forma especial à direita. A reforma eleitoral colocaria novamente no jogo político o Partido Comunista e permitiria que analfabetos votassem, o que correspondia a 60% da população brasileira. Essas medidas poderiam provocar grandes mudanças no equilíbrio dos partidos políticos dominantes naquele contexto. A reforma do estatuto do capital estrangeiro também provocou polêmica ao propor nova regulamentação para a remessa de lucros para fora do Brasil e propunha a estatização da indústria estratégica. Mas nenhuma delas foi alvo de tantas especulações e mitos quanto a proposta de implementação da reforma agrária. Essa reforma mexeria com a histórica estrutura latifundiária brasileira que, em muitos casos, remontavam aos séculos de colonização.

Para os grupos economicamente hegemônicos, tais propostas eram alarmantes não apenas por serem defendidas pelo Presidente da República, mas porque naquele momento a esquerda encontrava-se unida e organizada, movimentando-se em todo o território nacional e mostrando sua cara e seus objetivos em passeatas, publicações e através de forte presença no meio político. Longe do imaginário do século XIX, a esquerda daquele momento era formada por uma grande diversidade de grupos, tais como comunistas, católicos, militares de diferentes ordens, estudantes, sindicalistas entre outros. Todos eles voltados para a aprovação das Reformas de Base e estendendo suas influências por diversos campos da vida pública.

Diante desse abismo entre os grupos de direita e de esquerda durante o Governo de Jango, o golpe começou a ser elaborado pelos grupos conservadores e pelas Forças Armadas em diálogo com os EUA (Estados Unidos da América) através da CIA (Central Intelligence Agency) pensando nas eleições de 1962 para o Congresso Nacional e para o governo dos estados da União. A composição que assumiria no ano seguinte seria de vital importância para os avanços das propostas da esquerda e, por isso, interessados na queda de Jango financiaram de forma ilegal campanhas de candidatos de oposição ao governo. Esse financiamento foi realizado pelo empresariado nacional e estrangeiro através do IBAD (Instituto Brasileiro da Ação Democrática). Os EUA também investiram nessa campanha através de fontes governamentais, como provam documentos e áudios da Casa Branca. Nesse contexto o diplomata Lincoln Gordon participou ativamente da conspiração, trabalhando juntamente ao IBAD e ao IPES (Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais), responsáveis por diversas propagandas anticomunistas que contribuíram para a desestabilização de um governo que já enfrentava diversos desafios.

Em 1963, a votação favorável ao retorno do presidencialismo deu novos ânimos ao governo de Jango que, apesar das ações contrárias, ainda se mostrava com grande popularidade. Mesmo assim, o ano de 1963 foi marcado por intensa atuação da direita e da esquerda e esse embate começou a ser favorável a direita a partir da derrota da emenda constitucional que buscava viabilizar a reforma agrária. Outro fato que abalou Brasília em 1963 foi a Rebelião dos Sargentos na qual sargentos da Aeronáutica e da Marinha invadiram o Supremo Tribunal Federal em protesto contra a declaração de inelegibilidade dos sargentos eleitos em 1962.

O cenário ficou ainda mais conturbado após a entrevista concedida por Carlos Lacerda a um jornal norte-americano, no qual declarou que o cenário político brasileiro sob o governo de Jango era de incertezas, ato que foi visto com maus olhos pelo presidente e o levou a solicitar ao Congresso a instalação do estado de sítio. Sua atitude foi vista de forma negativa pelos governadores dos estados que lhe recusaram apoio. Uma nova coligação entre PTB, UDN e PSD mostrou ter a mesma posição, o estado de sítio não seria aprovado pelo Congresso. Desse embate, Jango saiu com seu poder abalado.

Com inflação anual na casa de 79,9%, um crescimento econômico tímido (1,5%) o Brasil passou a sofrer restrições dos credores internacionais. Nesse contexto, os EUA passaram a financiar o golpe através dos governos dos estados de São Paulo, Guanabara (atual Rio de Janeiro) e Minas Gerais. Frente às pressões sofridas nos meses que se seguiram, Jango articulou o Comício da Central do Brasil. Ocorrido em uma sexta-feira, 13 de março de 1964, o evento esteve cercado de simbologias que o ligavam a figura de Getúlio Vargas e mobilizou entre 150 e 200 mil pessoas por mais de 4 horas de duração. Como havia se comprometido em seu discurso, Jango encaminhou ao Congresso o pedido de convocação de um plebiscito para a aprovação das reformas sugeridas e a delegação de prerrogativas do Legislativo para o Executivo, o que foi visto como uma tentativa de centralização do poder nas mãos do presidente.

Em reação às ações de Jango, o Congresso passou a suspeitar de suas intenções e essa posição repercutiu nos meios de comunicação em um tom que indicava que o presidente poderia a qualquer momento dissolver o Congresso para colocar em prática as reformas na base da força. A partir desse clima de desconfianças e alardes, foi organizada a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, preparada pelo IPES sob a figura da União Cívica Feminina com o apoio de setores de direita. A Marcha reuniu cerca de 500 mil pessoas na Praça da República, na capital paulista, em protesto contra o governo de Jango e suas pretensões, classificadas como comunistas. Sendo um movimento prioritariamente de classe média, a Marcha foi menosprezada pela esquerda, mas demonstrou seu poder em converter a opinião pública a respeito de João Goulart em diversas capitais, alastrando-se pelos estados com a contribuição dos meios de comunicação.

Ainda faltava a unificação das forças militares em favor do golpe, o que foi provocado pelas atitudes tomadas por Jango em relação aos marinheiros que participaram da Revolta dos Marinheiros, realizada em 25 de março. Ao anistiar os revoltosos e passar por cima das autoridades militares responsáveis, Jango deu o último elemento necessário à realização do golpe de 1964: o apoio das Forças Armadas. Os EUA já estavam a postos para colocar em prática a Operação Brother Sam e, em 31 de março de 1964, o pontapé foi dado pelos mineiros, sob a liderança do general Olympio Mourão Filho, que marchou com suas tropas de Juiz de Fora para o Rio de Janeiro e iniciou o processo de deposição do presidente João Goulart com o apoio dos EUA e das Forças Armadas. O Golpe foi concluído na madrugada de 02 de abril de 1964, quando o Congresso, em sessão secreta realizada de madrugada, declarou a Presidência da República vaga.

Fonte: https://www.infoescola.com/historia/golpe-militar-de-1964/ 

3.30.2026

Em ano eleitoral, DEPUTADOS ACELERAM GASTOS COM AUTOPROMOÇÃO

O primeiro bimestre de 2026 já apresenta o maior gasto nominal com divulgação da atividade parlamentar de deputados federais desde 2008, quando essa informação começou a ser registrada.

Dados parciais indicam R$ 15,7 milhões pagos, contra R$ 14,9 milhões no mesmo período de 2025. Considerando os dados corrigidos pela inflação, o maior valor foi o de 2024, com R$ 16,2 milhões.
O valor de 2026, no entanto, deve aumentar e caminha para bater o recorde, já que os parlamentares têm até 90 dias para comunicar as despesas à Câmara dos Deputados.

GASTOS COM DIVULGAÇÃO PARLAMENTAR NO 1º BIMESTRE

A cada quatro anos, parlamentares que buscam a reeleição concentram esses gastos no primeiro semestre, em uma estratégia de visibilidade pré-eleitoral.

De acordo com as normas da cota para parlamentar, os deputados são proibidos de utilizar a verba para divulgação do mandato nos 120 dias anteriores ao primeiro turno —ou seja, têm até o início de junho para gastar promovendo suas ações.

Pela regra, nenhum dos gastos da cota pode ser feito com "caráter eleitoral".

Na prática, no entanto, os gastos são feitos principalmente para enaltecer os feitos dos deputados em suas redes sociais, o que acaba por configurar uma vantagem adicional para os parlamentares em relação aos concorrentes.

TENDÊNCIA DE MAIS GASTOS

Na prática, no entanto, os gastos são feitos principalmente para enaltecer os feitos dos deputados em suas redes sociais, o que acaba por configurar uma vantagem adicional para os parlamentares em relação aos concorrentes.

Em 2025, o valor atingiu R$ 101 milhões, representando 42% do total da cota utilizada no ano passado —o maior percentual já registrado.

AUTOPROMOÇÃO JÁ É 42% DA COTA PARLAMENTAR

O único ano atípico recente foi 2022, quando a alta nos preços das passagens aéreas pós-pandemia deslocou temporariamente a "divulgação de atividade" do topo do ranking de despesas. Contudo, a autopromoção retomou a liderança logo em seguida.

O histórico das despesas revela uma mudança de padrões na Câmara: em 2008, os maiores gastos eram de telefonia (29%) e consultorias e trabalhos técnicos (18,6%).

Hoje, a telefonia é gasto residual, e as consultorias são majoritariamente realizadas pelo corpo técnico da Casa ou por secretários parlamentares, cujos salários são custeados pela verba de gabinete, e não pela cota.

EM QUE O DINHEIRO É GASTO

Desde o início da legislatura, em fevereiro de 2023, os deputados já gastaram R$ 310 milhões na divulgação do mandato.

Individualmente, a Meta, empresa dona do Facebook e Instagram, foi a companhia que mais recebeu recursos (R$ 7,7 milhões), mas os valores estão pulverizados em mais de 6 mil empresas.

Os cinco deputados com maiores despesas em 2025 foram os seguintes:

MOSES RODRIGUES (UNIÃO-CE),

ALBUQUERQUE (REPUBLICANOS-PR),

SILVA CRISTINA (PP-RO),

ANTÔNIA LÚCIA (REPUBLICANOS-AC) e

CLEBER VERDE (MDB-MA).

Em resposta à reportagem, os parlamentares disseram que os recursos são aplicados de forma regular, de forma a dar transparência e informar a população da ação dos deputados. A única que não respondeu à reportagem foi a deputada Antônia Lúcia (Republicanos-AC). Leia aqui a íntegra das manifestações.

O UOL analisou um conjunto de 372 notas fiscais apresentadas por esses cinco deputados em 2025.

A transparência sobre os serviços prestados é limitada. A maioria das notas não tem descrição pormenorizada. É possível verificar a partir das notas, no entanto, pagamentos relacionados aos seguintes serviços:

redes sociais: 41% do valor foi para notas fiscais que citam as mídias sociais;
conteúdo para rádio: 30% do valor;
conteúdo para blogs ou jornais digitais: 23%;
vídeo: 20%;
assessoria de imprensa: 19%;
peças gráficas e impressos (folders, panfletos, etc): 19%

A soma supera 100% porque uma única nota fiscal pode listar múltiplos serviços sem o devido detalhamento de custos individuais. Alguns registros mais detalhados especificam com mais clareza o material pago com os recursos da cota parlamentar.

Um exemplo é uma publicação de maio de 2025 no Instagram, em que o deputado Albuquerque (Republicanos-RR) anuncia R$ 8 milhões de emendas para o município de Mucajaí (RR).

A divulgação, diz o deputado, é prestação de contas para o eleitor do estado.

Em outro post financiado pela cota parlamentar, o deputado Robinson Faria (PP-RN) comemora recursos de emenda destinados a uma associação voltada ao atendimento de pessoas com autismo. Faria diz que a divulgação da destinação de emendas é uma ferramenta de transparência essencial.

Fonte: https://noticias.uol.com.br/colunas/tiago-mali

A pequena loucura de CIRO

C iro, o Grande, entrou para a história como o protótipo do monarca sábio. Porém, uma pequena tolice, um simples ato de arrogância, manchou ...