Um vídeo que registra práticas de doutrinação e apologia à violência em um colégio cívico-militar de Curitiba foi divulgado na sexta-feira (28) pela Associação dos Professores do Paraná (APP-Sindicato). Na gravação, adolescentes, sob orientação de um policial militar, aparecem marchando e entoando versos que falam em “entrar na favela e deixar corpo no chão”. O sindicato não revelou o nome da escola.
“Vejam este absurdo! A APP-Sindicato recebeu um vídeo que mostra estudantes de um colégio estadual cívico-militar de Curitiba sendo obrigados(as) a cantar uma música que faz apologia ao ódio e à violência. Homem de preto, qual é sua missão? Entrar na favela e deixar corpo no chão.” Esse é só um dos trechos da música que é entoada pelos(as) adolescentes enquanto marcham sob a observação de um militar aposentado.
Absurdos como esse do vídeo não são casos isolados. Desde o início deste programa, temos recebido e denunciado ocorrências semelhantes e até piores em escolas que adotaram o modelo cívico-militar. É chocante ver que a escola pública esteja sendo usada para promover uma doutrinação ideológica extremista, que prega o ódio, a violência, o massacre e o extermínio de comunidades periféricas. Isso é muito grave e reforça a nossa luta contra a militarização da educação e a urgência do Poder Judiciário determinar o fim desse programa ilegal e inconstitucional, afirma a presidenta da APP-Sindicato, Walkiria Mazeto.
A seguir, a letra cantada pelos estudantes:
“Homem
de preto, o que é que você faz?
Eu faço coisas que assusta o
satanás.
Homem de preto, qual é sua missão?
Entrar na
favela e deixar corpo no chão.
O Bope tem guerreiros que matam
fogueteiros.
Com a faca entre os dentes, esfola eles
inteiros.
Mata, esfola, usando sempre o seu fuzil.”
Segundo a presidente da APP-Sindicato, Walkiria Mazeto, situações semelhantes têm sido denunciadas desde a criação do programa. “É chocante ver a escola pública ser usada para promover doutrinação extremista que estimula ódio, violência e o extermínio de comunidades periféricas”, afirmou.
Apesar de o programa de colégios cívico-militares ser alvo de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF), o governo do Paraná ampliou sua adoção. Neste mês, anunciou a inclusão de mais 33 escolas, somando agora 312 unidades militarizadas.
As unidades contam com policiais militares aposentados atuando como monitores. Conforme a APP-Sindicato, esses profissionais recebem R$ 5,5 mil –valor superior ao salário de professores, que é de R$ 4,9 mil — embora não tenham formação para trabalhar com estudantes.
SECRETARIA DA EDUCAÇÃO DIZ QUE VAI APURAR O CASO
A Secretaria de Estado da Educação do Paraná (SEED-PR) informa que, ao tomar conhecimento do vídeo divulgado nesta sexta-feira (28), solicitou imediatamente informações à direção da escola e aos profissionais envolvidos.
Essa é a primeira medida adotada para esclarecer com precisão as circunstâncias do ocorrido.
O conteúdo registrado não condiz com as diretrizes, princípios e orientações da rede estadual de ensino.
A SEED-PR repudia qualquer manifestação que estimule violência ou discriminação e reforça seu compromisso com uma educação pública pautada pelo respeito, pela inclusão e pela proteção integral dos estudantes.
Fonte: iclnoticias.com.br








