12.04.2025

DESPERDÍCIO DE ÁGUA no Brasil deixa de abastecer 50 MILHÕES DE PESSOAS

Imagine que você assa um bolo e, antes de servir, você pega quase metade dele e joga no lixo, sem pena. Ou que você chega ao fim do mês e de cada R$ 100 de salário conquistado, joga R$ 40 fora, sem uso. No âmbito cotidiano privado, a ideia pode parecer loucura ou inimaginável, mas essa é a realidade do tratamento e distribuição de água no Brasil – hoje, a cada cinco litros enviados às casas, dois vão direto para o ralo. Com tudo que se perde, seriam abastecidas nada menos que 50 milhões de pessoas – mesma quantidade de gente das regiões Norte e Sul somadas. E, acredite, já é assim há anos.

Os motivos variam. Vazamentos, fraudes, falhas de medição, etc. De acordo com o mais recente estudo do Instituto Trata Brasil (ITB), as perdas atuais das concessionárias de água são de 40,31%. O considerável “aceitável”, seria de 25%, ou seja, um quarto de tudo que se produz, ainda assustador. A redução da marca atual para a meta de 25% representaria uma economia coletiva de R$ 34,6 bilhões até 2033, graças à redução de custos operacionais e de obras emergenciais. Para se ter uma ideia, com esse valor seria possível construir 19 novas Unidades Básicas de Saúde no país.

O Brasil é frequentemente apontado por sua disponibilidade de água no cenário mundial, mas no que diz respeito à gestão hídrica, considerando as perdas da operação, o país ocupa a 86ª posição entre 139 nações, abaixo de quatro vizinhos sul-americanos: Equador, Bolívia, Chile e Argentina. O levantamento do ITB ajuda a lançar luz sobre a gravidade silenciosa enfrentada. Em Alagoas, estado com o maior volume de perdas no país, de cada 10 litros de água captada, tratada e distribuída, sete vão para o ralo. Na ponta oposta está Goiás, única unidade federativa na casa dos 25% de perdas.

Os dados, comparando o retrato do saneamento básico no país entre 2019 e 2023, mostra que a região Sudeste, maior centro econômico nacional, vem na contramão da evolução, aumentando suas perdas em 2,5 pontos percentuais. Em outras palavras, mesmo onde há mais investimentos e tecnologia, a situação tem piorado.

A Portaria 490/2021, do Ministério do Desenvolvimento Regional, define como meta para os municípios atingirem marcas de perdas operacionais inferiores a 25% até 2034. Essa seria uma condição para acesso a recursos federais. A dificuldade de que esse objetivo seja cumprido esbarra na prática: atualmente apenas 13 das 100 maiores cidades do país seriam consideradas aptas se a regra já estivesse valendo hoje – ao todo, são 5.570 municípios.

PERDAS E MAIS PERDAS: MAS POR QUE TANTA ÁGUA VAI PRO RALO?

Segundo especialistas ouvidos pela Agência Pública, esse cenário é consequência de baixo investimento, ineficiência técnica e um modelo econômico que continua a priorizar o volume vendido, em vez da eficiência no uso da água.

O coordenador do Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento (Ondas) Amauri Pollachi avalia que o desperdício é resultado de uma falta de prioridade estrutural no combate às perdas, abandonado em nome da redução de custos e da maximização do lucro: “Se você reduz investimentos, atuação, atenção, a disponibilidade de gente capacitada, as perdas acabam crescendo. A rede envelhece, a pressão aumenta, o desgaste aumenta — e o desperdício só piora”.

Para o ecologista e presidente do Instituto Internacional de Ecologia (IIE), José Galizia Tundisi, o problema é essencialmente técnico, mas sua persistência revela também falhas de gestão e lentidão política. “Precisa ter a vontade política do setor público de resolver o problema das perdas e juntar o investimento que tem que ser feito para poder resolver tecnicamente o problema”, afirma Tundisi.

[O cenário] esbarra na lentidão e na falta de acesso à tecnologia. Um município de 50 mil habitantes, no interior, não tem técnicos competentes para fazer o trabalho. Nem curso técnico de tratamento de água [às vezes] existe”, avalia, antes de apontar como o problema passa à margem da percepção coletiva. “A verdade incômoda é que nós perdemos água e não percebemos essa perda. A população não percebe essa perda e os políticos não percebem a necessidade de uma legislação mais consistente para resolver esse problema”, complementa.

A presidente executiva do ITB, Luana Pretto, explica que para que o país avance para reduzir as perdas para níveis abaixo dos 25% seria necessário realizar a modelagem hidráulica dos sistemas de distribuição para compreender seu funcionamento, setorizar a rede – “para que a identificação dos vazamentos ocultos seja mais assertiva” – e, enfim, adotar controles de vazão e pressão. Em outras palavras, modernizar estrutura e gestão de um país com proporções continentais em que ainda não falta água. Ainda (Fonte: iclnoticias.com.br).

A tempo: Qual a realidade do município de Camocim sobre perdas de água, investimentos e lucros?

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