Apenas uma minoria tem êxito (do ponto de vista humano) no jogo da vida, e os membros dessa minoria acabam despertando inveja. Søren Kierkegaard chamou isso de “admiração miserável”. O invejoso sente uma profunda admiração negativa pelo objeto de sua inveja.
Mais especificamente, Kierkegaard disse: “A inveja é uma admiração oculta. O admirador, que sente a impossibilidade de experimentar a felicidade cedendo à sua admiração, decide então invejar. Assim, usa uma linguagem bem diferente, na qual aquilo que ele admira de coração já não tem valor; não passa de estupidez insípida, estranheza, extravagância. A admiração é um feliz abandono de si mesmo; a inveja, uma infeliz reivindicação do eu.”
Por isso, o cristão deve ser modesto, evitando ostentar seu talento, sucesso, fama ou riqueza. Se fizer isso, estará pecando contra seu próximo. François de La Rochefoucauld afirmou: “Saber esconder as próprias habilidades é uma grande habilidade.” No entanto, acredito que, mais do que habilidade, é preciso ter a graça de Deus.
Você já leu a nota que frei Luis de León escreveu na parede de sua cela, onde foi preso por ordem da Inquisição? Ela diz: “Aqui a inveja e a mentira me mantiveram preso. Feliz é o humilde estado do sábio que se retira deste mundo perverso e com mesa e casa pobres, no campo deleitoso, com Deus sozinho se contenta, e a sós passa sua vida, nem invejado, nem invejoso.”
Aquele que não inveja nem é invejado encontrou o verdadeiro contentamento. Como guardião de seu irmão, uma das formas de cuidar dele é evitar induzi-lo à inveja. Por isso, é importante ter cuidado com a falsa modéstia, que, ao contrário do que parece, apenas provoca inveja no coração do outro. Comece o dia com Deus, e Ele protegerá seu coração de todo mal.
Fonte:https://mais.cpb.com.br/meditacao/admiracao-miseravel/

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