Lideranças da categoria de caminhoneiros transportadores de carga denunciam que donos de distribuidoras e revendedoras de combustíveis estão usando o pretexto da guerra no Golfo para aumentar de forma abusiva o preço do produto. “O país depende de apenas 20% do que importa do exterior, 80% é combustível da Petrobras, que não tem aumentado. Então, esses aumentos são abusivos”, denuncia Carlos Alberto Litti Dahmer, diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) ao ICL Notícias. Ele aponta aumentos de 60 centavos a R$ 1,50 no litro de diesel, dependendo da região do país.
O líder caminhoneiro Litti diz que alguns postos, especialmente aqueles que não têm “bandeira”, estão escondendo combustível. “Eles querem que seja criada a impressão de escassez, para facilitar a especulação. É crime contra a economia popular”, diz. “O governo tem que verificar a origem disso, se é nessas refinarias que foram privatizadas ou nos postos, e responsabilizar cada um”.O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, concorda que há movimento especulativo usando de forma mentirosa a justificativa da guerra. “Não vejo motivos para um aumento nessa proporção, de mais de 21%”, diz Chorão. “Há de fato um abuso por parte de distribuidoras e revendedores, gerando o caos no país. É gente se aproveitando”.
As duas entidades querem que o governo federal contra essa especulação e cobram atuação imediata do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), Secretaria Nacional do
Alguns postos, especialmente aqueles que não têm "bandeira", estão escondendo combustível, denuncia líder da categoria.
Consumidor (Senacon) Agência Nacional do Petróleo e Casa Civil para investigar possíveis práticas abusivas e distorções de mercado que vêm impactando diretamente os caminhoneiros e toda a cadeia logística do país.
“A adoção de reajustes baseados exclusivamente em cenários futuros ou em incertezas internacionais, sem fundamento em aumentos efetivos de custos, pode configurar prática abusiva e suscitar questionamentos quanto ao cumprimento da legislação relativa à defesa do consumidor e à proteção da economia popular”, diz trecho do ofício encaminhado pela CNTTL à Secretaria Nacional do Consumidor.
E prossegue: “Oscilações antecipadas ou artificiais nos preços do diesel podem comprometer a previsibilidade econômica do setor de transporte e logística gerando efeitos inflacionários sobre bens e serviços, além de afetar transportadores autônomos e empresas de transporte na formação de custos e na negociação de contratos, podendo impactar a regularidade do fluxo de mercadorias no território nacional”.
A Abrava destaca que o diesel é um insumo essencial para a economia brasileira, responsável por movimentar alimentos, medicamentos, insumos agrícolas e produtos industriais. Qualquer abuso na cadeia de distribuição gera impacto imediato no custo do frete e, consequentemente, no preço final ao consumidor.
A entidade pediu também em ofício às autoridades “investigação rigorosa sobre a formação de preços nas distribuidoras e postos; fiscalização efetiva contra práticas abusivas e possível cartelização; transparência na cadeia de combustíveis, garantindo que reduções cheguem ao consumidor final; proteção aos caminhoneiros e transportadores, que não podem continuar arcando com distorções de mercado”.
O governo o acompanhamento dos preços dos combustíveis no país. A medida mobilizou ministros e órgãos de fiscalização para evitar reajustes considerados abusivos e assegurar o abastecimento diante das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Participam do monitoramento instituições como a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica e a Secretaria Nacional do Consumidor.
Apesar do cenário internacional, o governo afirma que não há risco de desabastecimento no país. Autoridades investigam movimentos especulativos na cadeia de distribuição.
Por Chico Alves
Fonte: iclnoticias.com.br

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