7.01.2026

Noruega e Brasil: DOIS NAVIOS, UM SÓ OCEANO DE ESQUECIMENTO

A remada norueguesa é, no fim das contas, um espelho. Ela nos convida a questionar quais histórias escolhemos contar sobre nós mesmos.

Há um fascínio quase hipnótico na sincronia de uma multidão, e os movimentos de massa do século XX o comprovam. Não à toa a Copa do Mundo nasceu durante a ascensão do fascismo italiano em 1930. Em todo caso, quando os torcedores noruegueses — liderados pelo meio-campista Martin Ødegaard desde o gramado — e inspirados no “Senhor Row Row” (“Senhor Remada”, Ole Frøystad), sentam-se nas arquibancadas e simulam uma remada coletiva, o estádio deixa de ser um mero palco esportivo para se transformar no convés de um drakkar (navio de guerra viking) imaginário. A “remada viking” é plástica, contagiante e inegavelmente épica. Mas o que exatamente estamos aplaudindo quando celebramos o compasso desses remos invisíveis?

A imagem popular do viking — o homem loiro, destemido, adornado por capacetes de chifres (um equívoco arqueológico já desmentido) — é uma construção higienizada de um passado complexo. A Noruega, ao abraçar essa estética como marketing e orgulho nacional, escolhe a dedo qual parte da história deseja lembrar. Exalta-se a tecnologia naval incomparável que permitiu a expansão pelo Atlântico Norte, a coragem dos exploradores e a força dos guerreiros. Esquece-se, porém, que a mesma proa que desbravava mares também aportava para o saque, a pilhagem, o estupro e, de forma central, a escravização.

O ataque ao mosteiro de Lindisfarne (norte da Inglaterra medieval) em 793, marco simbólico da Era Viking, além de uma batalha por território, foi um ato de terror que resultou em mortes e na captura de pessoas que se tornariam thralls, os escravizados da Escandinávia medieval. A remada que hoje embala a festa nos estádios era a mesma que impulsionava o comércio humano nas Ilhas Britânicas e na Europa Oriental.

É aqui que a história da Noruega, congelada nos fiordes do norte, encontra um eco incômodo nas águas quentes do Atlântico Sul. Quando pensamos em Brasil e Noruega — que vão se enfrentar no próximo domingo —, imaginamos antípodas culturais. De um lado, o mito do homem cordial e a miscigenação; do outro, o Estado de bem-estar social e a suposta homogeneidade nórdica. No entanto, se despirmos essas nações de seus mitos fundadores, encontraremos um denominador comum brutal: a violência, o navio e a escravidão.

No Brasil, o navio não é o drakkar heroico, mas o tumbeiro sombrio. A nossa “remada” não é celebrada em estádios, mas agoniza no fundo do mar, onde repousam os ossos daqueles que não sobreviveram à Travessia do Atlântico. Enquanto a Noruega folcloriza seu passado marítimo violento, transformando escravizadores em mascotes de pelúcia e campanhas publicitárias, o Brasil ainda lida com as cicatrizes abertas de um sistema escravista que moldou nossa estrutura social.

O incômodo que a remada norueguesa gera em vizinhos como a Suécia e a Dinamarca é revelador. Os suecos, que preferem tratar os vikings como parte de uma história comercial e não como um épico fundacional, entendem o perigo de romantizar a barbárie. Mais ainda, reconhecem que a apropriação desses símbolos por grupos supremacistas brancos não é um acidente, mas uma consequência direta da exaltação de uma masculinidade guerreira e de uma suposta pureza racial.

Quando o Brasil e a Noruega se encontram — seja em um campo de futebol, seja na reflexão histórica —, o contraste é pedagógico. A torcida norueguesa não está, obviamente, celebrando abusos ou massacres ao remar nas arquibancadas. Trata-se de uma memória seletiva, um recorte nostálgico que serve à coesão nacional. Mas a memória é um campo de disputa. Ao romantizar o navio viking, a Noruega apaga os thralls (escravos) que remavam nos porões. Ao esquecer os navios negreiros, o Brasil tenta apagar o racismo estrutural que ainda dita quem vive e quem morre em nossas periferias.

A remada norueguesa é, no fim das contas, um espelho. Ela nos convida a questionar quais histórias escolhemos contar sobre nós mesmos. Se a Noruega precisa lidar com o peso do machado viking que ainda reverbera em discursos de extrema-direita, o Brasil precisa encarar o chicote que nunca foi totalmente abolido. Duas nações, mares diferentes, duas histórias distintas, mas unidas pela constatação de que, no fundo de cada mito nacional glorioso, há sempre um porão sombrio onde a história dos escravizados foi silenciada ou romantizada. Cedo ou tarde, a maré sempre volta, trazendo à tona vozes que cantam em uníssono nos porões de todos os navios dos tempos do mundo: liberdade!

Por: Lindener Pareto Jr.

Fonte: iclnoticias.com.br 

Polícia Civil prende membros de torcida organizada por ATENTADO CONTRA FILHA do presidente do Ceará

PCCE elucida tentativa de atentado contra filha de presidente de clube esportivo e prende suspeitos envolvidos na ação.

A Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), por meio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), com apoio do Núcleo Operacional do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) e do Departamento de Inteligência Policial (DIP), elucidou a tentativa de atentado praticado contra a filha do presidente do Ceará Sporting Club, ocorrido no dia 25 de junho deste ano, por meio do envio de um artefato explosivo, dissimulado em uma caixa de chocolates. Durante diligências realizadas na terça-feira (30), dois homens, de 19 e 22 anos, foram presos e materiais de interesse para a investigação foram apreendidos em Fortaleza.

As investigações apontaram que o crime foi praticado por integrantes de uma torcida organizada, que atuavam de forma coordenada e com divisão de tarefas. Conforme apurado pela Polícia Civil, os envolvidos utilizaram motocicletas com placas adulteradas e encobertas, com o objetivo de dificultar a identificação dos autores. A ação criminosa está inserida em um contexto de violência protagonizada por torcidas organizadas no Estado do Ceará. Durante o cumprimento das diligências relacionadas ao caso, equipes da Draco prenderam ainda um homem em posse de aproximadamente nove quilos de skunk e um quilo de cocaína, além de apetrechos utilizados para o tráfico de drogas e vestimentas ligadas à torcida organizada.

Os conduzidos foram autuados pelos crimes de ameaça, explosão, associação criminosa e adulteração de sinal identificador de veículo automotor. Um dos suspeitos também foi autuado por tráfico de drogas. As investigações seguem em andamento com o objetivo de identificar todos os envolvidos na ação criminosa e esclarecer integralmente os fatos.

Denúncias

A população pode contribuir com as investigações repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais. As informações podem ser direcionadas para o número 181, o Disque-Denúncia da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ou para o (85) 3101-0181, que é o número de WhatsApp, pelo qual podem ser feitas denúncias via mensagem, áudio, vídeo e fotografia ou ainda via “e-denúncia”, o site do serviço 181, por meio do endereço eletrônico: https://disquedenuncia181.sspds.ce.gov.br/.
As denúncias também podem ser encaminhadas para o telefone (85) 3101-7591, número da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco). O sigilo e o anonimato são garantidos.

Fonte: https://www.ce.gov.br/sspds/2026/07/01/

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