Deputado diz que responsabilidade pelo ITBI é do comprador e remete esclarecimentos sobre conclusão da venda ao cartório.
A apreensão ocorreu no âmbito de uma investigação que apura suspeitas de desvio de recursos da cota parlamentar. Após a operação, Sóstenes afirmou que os valores em espécie teriam origem na venda de um imóvel localizado em Ituiutaba (MG).
Questionado sobre o pagamento do ITBI e sobre a possibilidade de a transação não ter sido finalizada do ponto de vista registral, o deputado afirmou que não acompanha essa etapa do negócio. Ao ser confrontado com o fato de que, sem o recolhimento do imposto, a transferência de propriedade não é concluída, Sóstenes afirmou não saber se a transação foi efetivamente finalizada.
“Sobre isso eu não sei, só o cartório e o comprador podem te responder”, disse. Em seguida, afirmou que responde apenas como vendedor do imóvel e que não pode prestar esclarecimentos em nome do cartório ou do comprador. Segundo ele, sua responsabilidade no negócio se limita às obrigações legais do vendedor.
A escritura de compra e venda foi lavrada sem a comprovação prévia do pagamento do ITBI, conforme registrado no próprio documento.
O ITBI é um imposto municipal cobrado nas transmissões onerosas de imóveis e, em regra, deve ser recolhido pelo comprador para que a transferência da propriedade possa ser registrada no Cartório de Registro de Imóveis. Sem a comprovação do pagamento, a escritura pode até ser lavrada em situações excepcionais previstas em normas locais, mas o registro do imóvel — etapa que efetivamente transfere a propriedade — não costuma ser concluído enquanto o tributo não é quitado.
Procurado para explicar como a transação poderia ser concluída nessas condições, Sóstenes reiterou que não é sua responsabilidade legal acompanhar o recolhimento do imposto e que não pode responder por atos atribuídos ao cartório ou ao comprador. O deputado não confirmou se o imposto já foi recolhido nem se a transferência da propriedade foi efetivamente registrada no Cartório de Registro de Imóveis.
Questionado, então, se ele estaria afirmando que não sabe se a transação do imóvel foi de fato concluída, ele respondeu: “Não estou falando isso; estou te dizendo que eu respondo como vendedor do imóvel, eu não posso dar respostas pelo cartório e nem pelo comprador”.
CONTRATO DE COMPRA E VENDA
Sobre o contrato particular de compra e venda citado como base da operação, Sóstenes afirmou que a escritura menciona a data da compra, em 24 de novembro de 2025, e estabelece um prazo para a efetivação da escritura. Ele não esclareceu, contudo, se o contrato foi apresentado ao tabelião no momento do ato, nem se o documento possui firma reconhecida, registro formal ou testemunhas.
Questionado sobre a comunicação da operação às autoridades fiscais, o deputado afirmou que a Receita Federal é informada por meio da declaração anual do Imposto de Renda, dentro do prazo legal.
“A Receita Federal é informada na declaração anual de imposto de renda, o que será feito no prazo estabelecido em lei”, afirmou ao ICL Notícias.
Em entrevista concedida a jornalistas no dia 19 de dezembro de 2025, no entanto, Sóstenes declarou que a venda do imóvel já estava regularizada: “Eu vendi um imóvel e recebi, dinheiro lacrado, tudo normal. É uma venda de um imóvel que estará, já está o imóvel declarado no meu Imposto de Renda, tudo, não tem nada de ilegalidade quanto a isso”.
A escritura também registra a dispensa de apresentação de certidão fiscal municipal do imóvel e de certidões cíveis e criminais do vendedor. Sobre esse ponto, o deputado afirmou apenas que foram apresentadas todas as certidões solicitadas pelo comprador, sem detalhar as dispensas registradas no documento.
Questionado se poderia fornecer o contato do comprador para que fossem obtidos esclarecimentos sobre o pagamento do ITBI, Sóstenes afirmou que verificaria essa possibilidade com seu advogado. Ele também disse que o comprador dispõe de prazo legal adicional para recolher o imposto ITBI, mas reiterou que apenas o cartório ou o comprador poderiam esclarecer a situação.
Fonte: iclnoticias.com.br
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