Maioria
da bancada do Partido Liberal assinou proposta que aumentava jornada antes de defender
escala 4x3.
Inimigo declarado da proposta que prevê o fim da escala 6×1, o PL decidiu, na noite desta terça-feira (26), apoiar publicamente a escala 4×3. Trata-se de uma estratégia para inviabilizar a redução da jornada de trabalho.
E o que deixa isso mais claro é fato da própria bancada do partido apoiar em peso a chamada “emenda das 52 horas”, apresentada durante a tramitação da proposta. emenda ficou conhecida dessa forma porque, na prática, cria uma regra de transição de dez anos para a redução gradual da jornada semanal. O texto também estabelece um modelo que permite aumentar as jornadas, que podem chegar a 52 horas semanais.
62 dos 97 deputados do PL assinaram formalmente a emenda, o equivalente a cerca de 64% da bancada da legenda. Entre os signatários está o líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), que agora se tornou o principal porta-voz da defesa do 4×3.
A leitura feita por parlamentares é que o PL tenta deslocar o debate para uma proposta considerada mais difícil de aprovar politicamente e economicamente. Na prática, a estratégia acabaria elevando o custo da discussão sobre redução da jornada e criando obstáculos para a aprovação da PEC original.
Sóstenes, líder da bancada na Câmara aparece entre os signatários da emenda criticada e, até agora, não retirou a assinatura do documento.
Em abril o deputado chegou a defender que no lugar do fim da escala 6×1, deviam apoiar um projeto para que os trabalhadores recebessem por hora trabalhada: “Não existe nenhuma legislação mais moderna na relação empregado, trabalhador e empregador do que hora trabalhada, hora recebida. E nós, do PL, vamos oferecer esta nossa contribuição para melhorar esse texto horroroso do desgoverno que aí está e desta PEC que veio horrível”.
Em entrevista ao site Metrópoles, o deputado também disse que “só acabar com a 6×1, cria um problema maior ao trabalhador”.
Depois da repercussão negativa, deputados começaram a retirar os nomes do documento. Até o momento, oito parlamentares do PL protocolaram pedidos formais de retirada: Roberta Roma (BA), Marcos Pollon (MS), Capitão Alden (BA), Dr. Jaziel (CE), Lucio Mosquini (RO), João Carlos Bacelar (BA), Dr. Fernando Máximo (RO) e Coronel Chrisóstomo (RO).
Mesmo após os recuos, outros 54 deputados do partido seguem vinculados oficialmente à emenda.
Por Cleber Lourenço
Fonte: iclnoticias.com.br
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