11.05.2025

Operação fecha 49 postos de combustíveis em MA, PI e TO por lavagem de dinheiro do PCC

Grupo utilizava empresas de fachada para lavar capital ilícito

Policiais civis deflagraram nesta quarta-feira (5) a Operação Carbono Oculto 86, que investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis. 

Pelo menos 49 postos de combustível foram interditados em três estados: Piauí, Maranhão e Tocantins.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) informou que o grupo utilizava uma complexa estrutura de empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs para lavar capitais ilícitos, fraudar o mercado de combustíveis e ocultar patrimônio.

“A investigação revelou interconexão direta entre empresários locais e os mesmos fundos e operadores financeiros investigados pela Operação Carbono Oculto, que integrou Receita Federal, Polícia Federal, Ministério Público de São Paulo e PM [Polícia Militar] paulista para desarticular um esquema nacional de lavagem de dinheiro de organizações criminosas.”

Ainda de acordo com a SSP-PI, os 49 postos de combustíveis interditados estão localizados nos seguintes municípios do Piauí: Teresina, Lagoa do Piauí, Demerval Lobão, Miguel Leão, Altos, Picos, Canto do Buriti, Dom Inocêncio, Uruçuí, Parnaíba e São João da Fronteira.

No Maranhão, os estabelecimentos ficavam nas cidades de Peritoró, Caxias, Alto Alegre e São Raimundo das Mangabeiras; além de São Miguel do Tocantins.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

11.04.2025

Contarato é eleito presidente da CPI DO CRIME ORGANIZADO

O senador Fabiano Contarato (PT-ES) presidirá a comissão parlamentar de inquérito (CPI) que vai investigar o crime organizado. Ele foi eleito pelos membros da comissão nesta terça-feira (4), na primeira reunião do colegiado. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) será o relator, responsável por conduzir o inquérito e propor medidas, como indiciamentos e projetos de lei.

A vice-presidência ficou com o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que também concorreu à presidência. Mourão teve cinco votos favoráveis, enquanto Contarato teve o apoio de seis senadores.

Contarato afirmou que atuará de forma independente e que a segurança pública “não deve ser uma pauta apenas da direita”. Ele destacou que apoiou projetos de segurança pública que tiveram resistência dos parlamentares governistas. É o caso da Lei 14.843, que restringiu as saídas temporárias de presos, e do Projeto de Lei (PL) 1.473/2025, que chega a dobrar a punição para adolescentes em conflitos graves com a lei.

— Faço um apelo às lideranças progressistas: é hora de ocupar esse espaço de debate com coragem, técnica e empatia, porque enquanto hesitamos, o medo avança. Progressismo, para mim, é enfrentar a realidade de frente, não ignorá-la. Eu acredito na ressocialização, mas não em impunidade disfarçada de compaixão.

PLANO DE TRABALHO

Os senadores também aprovaram o plano de trabalho para a CPI elaborado por Alessandro. O relator afirmou que o relatório deve diagnosticar a situação do crime organizado no país e detectar as políticas públicas mais efetivas contra o problema. O Brasil tem cerca de 88 organizações criminosas, segundo a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen).

— A segurança pública é uma atividade complexa, mas não tem segredo, desde que a gente tenha o espírito público suficiente para fazer o nosso trabalho [...] O que o Brasil enfrenta é a consequência de décadas de omissão e de corrupção — disse Alessandro.

A comissão investigará os seguintes tópicos relacionados ao crime organizado:

  • ocupação de território;

  • lavagem de dinheiro, com ênfase em criptomoedas; bens patrimoniais; bancas de advocacia e segmentos econômicos lícitos, como combustíveis, lubrificantes, bebidas, garimpo, mercado imobiliário e cigarros;

  • sistema prisional;

  • corrupção ativa e passiva;

  • rotas de mercadorias ilícitas;

  • crimes de tráfico de drogas e de armas, sonegação tributária e roubo, entre outros.

  • integração entre os órgãos de segurança pública e as Forças Armadas, com destaque para as fronteiras;

  • experiências bem-sucedidas de prevenção e repressão ao crime organizado;

  • recursos públicos disponíveis.

AUTORIDADES

A CPI ouvirá especialistas e autoridades que lidam com o combate a esses criminosos. Para isso, os senadores aprovaram sete requerimentos do relator. Entre eles, está o convite aos governadores dos estados mais seguros e seus secretários de Segurança prestarem depoimento (REQ 1/2025 - CPICrime): Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Distrito Federal.

Também serão ouvidas as mesmas autoridades do Rio de Janeiro e de São Paulo, em razão da atuação de facções nesses estados, como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC), respectivamente.

Cinco governadores e secretários de Segurança Pública dos estados mais perigosos do país também serão convidados: Amapá, Bahia, Pernambuco, Ceará e Alagoas.

Já do governo federal, a CPI deve receber (REQ 2/2025 – CPICrime):

  • o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski;

  • o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho;

  • o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Augusto Passos Rodrigues;

  • o diretor de Inteligência Policial da PF, Leandro Almada da Costa;

  • o diretor de Inteligência Penal da Senappen, Antônio Glautter de Azevedo Morais; e

  • o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Luiz Fernando Corrêa.

ESPECIALISTAS

A CPI também convidará especialistas em organizações criminosas, como o promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo (MPSP) Lincoln Gakiya, que há 20 anos investiga o PCC. Ao todo serão cinco especialistas  (REQ 3/2025 – CPICrime) e cinco jornalistas investigativos (REQ 7/2025 – CPICrime

ELEIÇÃO

O senador Eduardo (Novo-CE) criticou a atuação de senadores do governo para assumir a liderança da CPI. Ele afirmou que abrir CPIs é um direito da minoria, sendo necessário o apoio de apenas um terço dos senadores para sua abertura.

— Mais uma vez o governo Lula, que não assinou e não queria que essa CPI existisse, toma de assalto essa comissão. No momento que coloca algum senador do Partido do Trabalhador que tem que investigar o próprio governo, a gente perde a legitimidade. Mas vamos dar o voto de confiança, estar juntos para tentar fazer o nosso melhor.

Já o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) rechaçou a ideia de que a CPI poderia ser prejudicial ao governo federal. Para ele, a experiência de Contarato e Alessandro como delegados de polícia contribuirá para os trabalhos da comissão.

— O governo Lula quer se blindar de quê? Foi o responsável pela Operação Carbono Oculto, que desbaratou o esquema de financiamento de parte do crime organizado [com a sonegação de impostos e adulteração de gasolina e afins em postos de combustível].

O senador Flávio (PL-RJ) defendeu que a CPI seja “suprapartidária” e “não politizada”

OPERAÇÃO NO RIO

Proposta pelo relator Alessandro, a comissão terá 120 dias para investigar especialmente o crescimento das facções e milícias (RQS 470/2025). A instalação da CPI ocorreu uma semana após a operação policial que deixou 121 mortos nos Complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro.

Onze senadores integrarão a CPI, que terá R$ 30 mil para desembolsar em suas investigações

Fonte: Agência Senado

MULHER presa INJUSTAMENTE POR 6 ANOS MORRE de câncer meses após ser absolvida

Uma jovem que passou seis anos presa preventivamente por um crime que não cometeu morreu dois meses depois de ter sido absolvida pelo tribunal do júri do Rio Grande do Sul.

O QUE ACONTECEU

Damaris Vitória Kremer da Rosa, 26, morreu em decorrência de um câncer de colo do útero diagnosticado durante a prisão. O óbito da jovem foi confirmado no dia 26 de outubro, na cidade onde ela morava com a mãe, em Balneário Arroio do Silva, em Santa Catarina.
Ela foi presa em agosto de 2019 acusada de participação em um homicídio ocorrido em 30 de novembro de 2018, em Salto do Jacuí (RS). Na época, outras duas pessoas também responderam pelo crime: o então namorado dela, Henrique Kauê Gollmann, e outro homem identificado como Wellington Pereira Viana.

Ministério Público gaúcho acusou Damaris de atrair a vítima, Daniel Gomes Soveral, para uma emboscada. Na denúncia apresentada à Justiça em 2019, a promotoria disse que ela teria "ajustado o assassinato juntamente com os [outros dois] denunciados" e agido com "conduta dissimulada [ao manter] um relacionamento com a vítima, de modo a fazê-la ir o local estipulado para a execução".
Promotoria apontou que o disparo que matou Daniel foi efetuado por Henrique. Já Wellington teria "auxiliado na organização do homicídio".
Defesa de Damaris sempre negou que ela tenha participado da morte de Douglas. Desde o começo, os advogados da jovem alegaram que ela apenas relatou ao então namorado, Henrique, que teria sido estuprada por Douglas. Após tomar conhecimento do suposto abuso sexual, Henrique decidiu agir por conta própria ao atentar contra a vida de Douglas.

Henrique foi a julgamento e condenado por homicídio. Wellington foi inocentado. Damaris, porém, só enfrentou o júri em agosto de 2025, seis anos após sua prisão.

Enquanto aguardava o julgamento, a defesa de Damaris pediu à Justiça a revogação de sua prisão preventiva. Em todas as ocasiões, o Ministério Público se opôs à liberdade da jovem, o que foi acolhido pelo Tribunal de Justiça gaúcho.

Durante a prisão, Damaris foi diagnosticada com câncer de colo do útero. Seu quadro clínico piorou significativamente até que, em março deste ano, a Justiça concedeu prisão domiciliar para ela, com aplicação de medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica. A Justiça também permitiu que ela fosse morar com a mãe em Balneário Arroio do Sul, no estado vizinho.

Em 13 de agosto de 2025, Damaris enfrentou júri popular. Ela foi absolvida por unanimidade das acusações de homicídio e de atear fogo no carro de Douglas com o corpo dele dentro. O júri entendeu que não houve comprovação de autoria da jovem no crime, tampouco as provas apresentadas foram suficientes para condená-la por participação direta ou indireta.

No dia 26 de outubro, 74 dias após ser absolvida, Damaris morreu por complicações do câncer. O corpo dela foi velado e sepultado no dia 27 de outubro, no Cemitério Municipal de Araranguá, em Santa Catarina.

O QUE DIZEM AS PARTES ENVOLVIDAS

Defesa de Damaris afirma que a jovem foi vítima de negligência das autoridades gaúchas. Em nota, os advogados Rebeca Canabarro e Mateus Porto falaram em "cegueira estatal" que resultou na prisão injusta da jovem por seis anos.

Advogados também dizem que se a Justiça tivesse concedido liberdade à Damaris, ela poderia ter feito o tratamento adequado. "Talvez se, logo no primeiro requerimento pela prisão domiciliar tivesse sido concedido o pleito defensivo, e portanto a família tivesse sido oportunizada a realizar os exames necessários, o desfecho dessa história pudesse ter sido diferente. Que a história da Damaris sirva como um alerta para a sociedade, a respeito daqueles que padecem no cárcere, subjugados por uma justiça punitivista".

Procurado, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul disse apenas que "não se manifesta em questões jurisdicionais". Ainda, o órgão ressaltou que, após a comprovação da doença de Damaris, ela foi colocada em prisão domiciliar.

Promotoria disse que na primeira vez em que a defesa disse que Damaris estava doente, "não houve comprovação desta informação". Também em nota, o MP destacou que, "a partir do momento em que a defesa fez o segundo pedido de liberdade, alegando e comprovando a doença, a ré foi, então, solta".

Tribunal de Justiça e Ministério Público não comentaram a falta de provas que sustentou a prisão preventiva de Damaris por seis anos.

Fonte: noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2025/11/04

11.03.2025

Contratações do Programa REFORMA CASA BRASIL já estão abertas

Famílias com renda de até R$ 9,6 mil terão crédito com juros reduzidos.

Famílias com renda mensal de até R$ 9,6 mil já podem financiar a reforma de casa ou do apartamento com juros reduzidos. A Caixa Econômica Federal começou as contratações do Programa Reforma Casa Brasil, iniciativa que oferece crédito para reforma e ampliação de moradias em todo o país

O programa faz parte do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) e prevê a destinação de R$ 30 bilhões do Fundo Social para famílias dentro dessa faixa de renda. O acesso e a simulação das condições de financiamento podem ser feitos diretamente pelo site da Caixa.

As famílias com renda superior a R$ 9,6 mil por mês terão acesso à outra linha de crédito para a reforma de moradias, com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).

COMO FUNCIONA

O programa é dividido em duas faixas de renda:

  • Faixa Reforma 1: famílias com renda de até R$ 3,2 mil;

  • Faixa Reforma 2: famílias com renda entre R$ 3.200,01 e R$ 9,6 mil.

As contratações podem ser iniciadas pelo site da Caixa. A finalização ocorre pelo aplicativo Caixa, para quem tem conta no banco, ou em uma agência, no caso de famílias com mais de um integrante com renda ou que não possuam conta.

TAXAS, PRAZOS E LIBERAÇÃO DO CRÉDITO

Faixa Reforma 1: juros de 1,17% ao mês, até R$ 30 mil de crédito;

  • Faixa Reforma 2: juros de 1,95% ao mês, mesmos limites e prazos.

  • Prazo: de 24 a 60 meses, nas duas faixas

  • O valor é liberado em duas etapas: 90% na contratação e 10% após o envio de fotos que comprovem a execução da reforma, via aplicativo da Caixa.

  • Não é exigida garantia do imóvel para essas faixas de renda.

OBJETIVO E ABRANGÊNCIA

Desenvolvido pelo Ministério das Cidades, em parceria com o Ministério da Fazenda e a Caixa, o programa deve beneficiar 1,5 milhão de famílias em todo o Brasil. O crédito pode ser usado para compra de materiais de construção, contratação de mão de obra, projetos e orientação técnica.

Entre as principais melhorias possíveis estão reparos em telhados, pisos, instalações elétricas e hidráulicas, além de obras de acessibilidade ou ampliação do imóvel.

LINHA PARA RENDA ACIMA DE R$ 9,6 MIL

Famílias com renda superior ao limite do MCMV também podem acessar crédito por meio da linha Reforma Casa com Garantia de Imóvel Caixa, que utiliza recursos do SBPE.

  • Valor: nessa modalidade, a Caixa financia valores a partir de R$ 30 mil, podendo chegar a 50% do valor do imóvel

  • Prazo: de 60 a 180 meses

  • Juros: de 1,33% a 1,95% ao mês.

  • O imóvel é dado em garantia, e a contratação pode ser feita em agências da Caixa ou por correspondentes parceiros.

Interessados podem verificar a elegibilidade, simular condições e obter orientações no site do Reforma Casa Brasil ou diretamente pelo aplicativo da Caixa.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

11.02.2025

Dia dos Mortos - A PROMESSA

Eis que vou lhes revelar um mistério: nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. [...] os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. 1 Coríntios 15:51, 52

A morte, o corpo e o luto sempre foram tratados por meio de rituais. Estes, por sua vez, são uma forma de dar expressão às crenças acerca da morte. Seriam essas manifestações um adeus eterno?

O Dia dos Mortos é conhecido desde a Idade Média como o “Dia de Todas as Almas”, sucedendo o “Dia de Todos os Santos”, que é comemorado em 1° de novembro. Mas foi apenas a partir de 2002 que o Dia de Finados foi oficializado como feriado nacional.

Você sabia que esse dia tem tudo a ver com uma piscada de olhos? Vou explicar. Nossos olhos piscam para proteger, lubrificar e limpar o globo ocular. Esse movimento é controlado pelo sistema nervoso autônomo, portanto, acontece sem percebermos, assim como as batidas do coração ou o ato de respirar.

Cada piscadela dura cinquenta milésimos de segundo. Considerando que piscamos 24 vezes por minuto, isso quer dizer que, nesse mesmo espaço de tempo, nossos olhos ficam 1,2 segundo sem enxergar a luz. Assim, alguém de 70 anos deu piscadas suficientes para permanecer 21 dias “cego”. É claro, isso sem contar o período em que passou dormindo!

Agora vem a ligação com a morte: uma piscadela ou cinquenta milésimos de segundo será o tempo que durará “mentalmente” o sono dos mortos. Segundo a Bíblia, tanto faz ter morrido milhares de anos antes da volta de Cristo ou perto desse evento. Para os que vão ressuscitar, o tempo de espera parecerá o mesmo: um instante que durará um “abrir e fechar de olhos”. Isso quer dizer que os que dormiram no Senhor não estão sentindo o tempo passar. Eles estão no “pó da terra” (Gênesis 3:19), em um estado de total inconsciência, livres de toda dor (Eclesiastes 9:5). Quando o Arcanjo tocar a trombeta de Deus, os que morreram em Cristo ressuscitarão transformados (1Tessalonisenses 4:16).

Se você perdeu um ente querido, lembre-se da promessa de Deus. A separação não será para sempre. Apenas uma piscada de olhos e estaremos juntos novamente. Console hoje os enlutados e diga-lhes com carinho que Deus trará de volta aqueles que a morte levou.

Fonte: https://mais.cpb.com.br/meditacao/a-promessa-2/

10.31.2025

AMAZÔNIA E CERRADO REGISTRAM queda de 11% no desmatamento

Segundo Marina Silva, dados mostram compromisso com desmatamento zero

O desmatamento na Amazônia e no Cerrado diminuiu no período de agosto de 2024 a julho de 2025, segundo dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Na Amazônia, a queda foi de 11,08% em relação ao período anterior, de agosto de 2023 a julho de 2024. Já no Cerrado, a queda foi de 11,49%. 

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (30), pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática (MMA).

Na Amazônia, os dados mostram que foram desmatados 5.796 km². Esta é a terceira menor taxa da série histórica, que começou a ser medida em 1988, e o terceiro ano consecutivo de redução.

Os estados que mais contribuíram com o desmatamento foram o Pará, Mato Grosso e Amazonas, que responderam, juntos, por 80% de todo o desmatamento na Amazônia Legal. 

O Tocantins registrou a maior queda proporcional, com 62%. A queda pode ser explicada porque o estado possui uma área de floresta menor que os outros integrantes da Amazônia Legal. O Amapá teve uma queda de 42%; Roraima apresentou queda de 37%. 

Em Rondônia, a redução foi de 33%.  O Acre registrou queda de 27%, consolidando uma tendência na região desde 2021. Já no Maranhão, a queda foi de 26%; e no Amazonas o percentual foi de 16,93%.

“Ainda que exista uma queda do desmatamento, uma coisa que chama atenção é o incremento da área desmatada por degradação progressiva, com grandes incêndios florestais que chegam a levar a floresta ao colapso”, afirmou o coordenador do Programa BiomasBR do Inpe, Cláudio Almeida.

Ele destaca o aumento de 25,05% no desmatamento em Mato Grosso, estado bastante afetado por incêndios.

CERRADO

Em relação ao Cerrado, o desmatamento atingiu a taxa oficial de 7.235,27 km², o que equivale a uma queda de 11,49% em relação ao período de agosto de 2023 a julho de 2024. É o segundo ano consecutivo de redução, após cinco de alta.

Os dados do Prodes mostram que o maior percentual de desmatamento ocorreu na área do Matopiba – região de fronteira do agronegócio que abrange os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Juntos, eles responderam por 78% de toda a área desmatada no bioma.

Os maiores desmatadores foram o Maranhão, que registrou 28% de toda a área desmatada; Tocantins, com 21%; Piauí, com 19% e a Bahia, com 11%.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, disse que os dados mostram o compromisso do governo com a agenda ambiental de desmatamento zero até o ano de 2030.

“A redução do desmatamento na Amazônia pelo terceiro ano consecutivo nesta gestão e no Cerrado pelo segundo ciclo seguido é a confirmação de que a agenda ambiental é prioritária e transversal no governo do presidente Lula. Isso é fundamental para que o país contribua ao enfrentamento à mudança do clima a nível global, o que beneficia diretamente a vida dos brasileiros e brasileiras, que já enfrentam, em diferentes medidas, os impactos crescentes do aquecimento global em forma de eventos extremos, por exemplo”, disse a ministra.

Segundo ela, combater o desmatamento e proteger o meio ambiente são condicionantes para que o Brasil alcance o desenvolvimento econômico em bases sustentáveis.

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou o avanço nos mecanismos de monitoramento como fundamentais para auxiliar as ações de prevenção e combate ao desmatamento.

“Esses resultados não são obra do acaso. A excelência do Inpe e o monitoramento de precisão que realizamos são o alicerce que nos permite enxergar a realidade do nosso território e, a partir daí, fornecer subsídios às ações do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, nessa parceria que tem sido tão frutífera”, afirmou.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

10.30.2025

Deputado de DIREITA E EVANGÉLICO condena operação no RJ 'A FINALIDADE FOI EXECUTAR'

Parlamentar criticou ação a partir de denúncias recebidas de pessoas ligadas à Assembleia de Deus Ministério Missão de Vida

Após se reunir com moradores e lideranças comunitárias na Central Única das Favelas (CUFA) na quinta-feira (30), o deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ) afirmou ao ICL Notícias que há fortes indícios de execuções entre as 121 mortes provocadas pela megaoperação policial nos Complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro.

Na ocasião, o deputado Reimont Luiz Otoni Santa Barbara (PT-RJ) também informou que ele e outros oito parlamentares assinaram um ofício ao procurador-geral da República pedindo que seja avaliada a prisão do governador Cláudio Castro (PL) em decorrência da operação. Relatos, imagens e vídeos estão sendo reunidos para montar um dossiê e acionar mecanismos nacionais e internacionais de responsabilização.

Otoni de Paula explicou que seu discurso na tribuna da Câmara, feito na quarta-feira (29), teve como base denúncias recebidas de pessoas ligadas à sua igreja Assembleia de Deus Ministério Missão de Vida. Na ocasião, ele disse que estava falando enquanto pastor de direita e denunciou que quatro dos jovens assassinados na operação “nunca portaram fuzis”, mas estavam sendo contabilizados no pacote como se fossem “bandidos”.

Ao ICL Notícias, ele disse que as denúncias foram recebidas por duas pessoas ligadas à sua comunidade evangélica:

“Pelo menos quatro pessoas que estavam entre os mortos, sendo contadas como traficantes, não eram traficantes, eram pessoas que nunca tiveram envolvimento com o crime organizado. E eu resolvi revelar esta denúncia na tribuna da Câmara Federal”, afirmou.

CONFIRA A DECLARAÇÃO DO DEPUTADO NA ÍNTEGRA

Otoni de Paula deu a declaração após visitar o território com a Comissão de Direitos Humanos da Câmara, da qual é vice-presidente, e ouvir relatos de moradores e lideranças comunitárias. A reunião ocorreu na Central Única das Favelas (Cufa), e contou com a presença das ministras Anielle Franco (Igualdade Racial) e Macaé Evaristo (Direitos Humanos), que também se emocionaram com os relatos dos familiares.

“Nós testemunhamos [na reunião] o que os moradores começaram a nos relatar: pessoas decapitadas… pelo menos uma delas sem os dedos das mãos… pessoa amarrada com tiro na nuca, mostrando que houve execução”, contou.

Otoni ressaltou que a repressão ao crime não pode se transformar em execução sumária:

“A sociedade é refém do criminoso, mas também se torna refém de uma polícia que não age dentro da lei. A lei não dá à polícia o direito de matar.”

“O direito de executar não é um direito dado pela lei ao policial. (…) O que nós estamos percebendo é que esta foi uma operação de morte, de execução, cuja finalidade foi executar.”

Otoni de Paula afirmou que, independentemente de estar acompanhado de colegas de esquerda, progressistas ou não, é necessário reduzir o tom do debate e reconhecer que vidas foram ceifadas, incluindo quatro policiais e possíveis inocentes, cujas mortes serão investigadas, “assim como de marginais executados sem a devida troca de tiros”.

Ele ressaltou que, “apesar de quem planta desgraça colher desgraça, execuções no país não podem ser toleradas, mesmo que o governador tente assumir um papel de “Bukele” no Rio de Janeiro — em referência ao presidente de El Salvador, Nayib Bukele, conhecido por suas ações autoritárias no combate ao crime organizado.

“QUEM ESTÁ FALANDO AQUI É O PASTOR”

O encontro ocorreu um dia depois de seu discurso na Câmara — que viralizou e foi publicado pelo ICL. Na tribuna, Otoni denunciou o racismo estrutural da operação:

“Preto, correndo em dia de operação na favela, é bandido. Preto, com chinela havaiana, sem camisa, pode ser trabalhador. Correu é bandido.”

Ele também criticou a comemoração da letalidade policial:

“É fácil, senhoras e senhores, para quem tá no asfalto e não conhece a realidade da favela, dizer ‘Que bom! Matou!’. É porque o filho de vocês não está lá dentro.”

E ressaltou seu lugar de fala:

“Quem está falando aqui é pastor. (…) Eu sei que morreram quatro ontem: meninos que nunca portaram fuzis, mas estão sendo contados no pacote como se fossem bandidos.”

MUDANÇA DE POSTURA

A ativista de direitos humanos e evangélica de esquerda, Andressa Oliveira, comentou o pronunciamento do deputado e pastor Ottoni de Paula, destacando a mudança de postura do parlamentar, que antes defendia o discurso de que “bandido bom é bandido morto” e agora pede justiça pela morte de quatro jovens de sua igreja, vítimas de violência policial.

Para Andressa, o fato de um líder religioso da direita denunciar a letalidade policial e reconhecer o viés racial dessas ações é algo inédito e simbólico.

“É a primeira vez que eu vejo um líder de igreja, principalmente da direita, reclamando por justiça, reclamando inocência e denunciando a morte de jovens pela polícia. Porque isso não é comum”, afirmou.

Ela vê nessa mudança um possível despertar de consciência sobre o genocídio da população negra e espera que o clamor do deputado não se limite aos membros de sua igreja, mas se estenda a todas as vítimas da violência e da injustiça do Estado.

Por Lucas Rocha e Schirlei Alves

Fonte: iclnoticia.com.br

SOFREU ASSÉDIO ELEITORAL? SAIBA COMO E ONDE DENUNCIAR

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