11.28.2025

PF cumpre mandados no Ceará e no Rio Grande do Norte em OPERAÇÃO CONTRA DESVIOS DE EMENDAS

PF e CGU apuram irregularidades em contratos públicos, Operação mira irregularidades em contratos financiados por emendas parlamentares.

A Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira, 28/11, em conjunto com a CGU, a Operação Fake Road, com o objetivo de apurar irregularidades em contratos de pavimentação firmados pelo Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS) e financiados por emendas parlamentares.

As investigações tiveram início a partir de auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU), que identificaram indícios de superfaturamento, execução parcial ou inexistente dos serviços, medições fraudulentas e favorecimento indevido de empresas contratadas.

Os elementos colhidos apontam para a atuação de servidores públicos e representantes de empresas privadas, em possível organização criminosa voltada ao desvio de recursos públicos, com prejuízo estimado em mais de R$ 22 milhões.

Estão sendo cumpridos 11 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), distribuídos nas seguintes cidades: Fortaleza/CE – 9 mandados; Natal/RN – 2 mandados.

As medidas incluem ainda pedidos de bloqueio judicial de bens e valores, indisponibilidade de imóveis e veículos, busca pessoal e veicular, bem como a quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático dos investigados.

A operação conta com a participação de aproximadamente 50 policiais federais e tem por finalidade coletar novas provas, assegurar a interrupção de eventuais práticas ilícitas e reforçar o compromisso da Polícia Federal no combate ao desvio de recursos públicos e à corrupção.

Fonte: https://www.gov.br/pf/pt-br

11.27.2025

SOCIEDADE CIVIL VÊ RETROCESSO GRAVE em queda de vetos de PL AMBIENTAL

ONGs alertam para riscos aos ecossistemas e aos povos tradicionais.

Organizações da sociedade civil veem como um “retrocesso grave” a decisão do Congresso Nacional de derrubar 56 dos 63 vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei nº 15.190/2025), chamada pelos ambientalistas de “PL da Devastação”.

O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) diz, em nota, que a decisão do Congresso coloca em risco a vida de milhões de pessoas.

“Precisamos ser mais eficientes com licenciamento ambiental, mas jamais ao custo de insegurança e riscos atuais e futuros para a população. Será que os ilustres senadores não entenderam o recado que a natureza está nos dando? A COP30, em Belém, deixa claro que ultrapassamos limites. Temos que repensar nossa relação com nossos rios e florestas. E não é com um PL apressado e disfuncional que seremos mais harmônicos com o meio em que vivemos”, diz André Guimarães, diretor executivo do IPAM.

O instituto entende que a nova lei desmonta a capacidade do Estado de prevenir e controlar danos ao meio ambiente e atropela o direito dos povos originários, que não serão consultados sobre empreendimentos que possam gerar impactos em seus territórios.

A nota também fala em desrespeito do Congresso ao povo brasileiro, que aumenta a possibilidade de um mundo hostil e instável no futuro em razão da crise climática. A lei pode aumentar o desmatamento e acelerar os chamados “pontos de não retorno” em todos os biomas brasileiros. Os ecossistemas nacionais estão em risco de colapso.

O Instituto Internacional Arayara diz que o Congresso negocia vidas, fragiliza a proteção socioambiental e inviabiliza o cumprimento das metas climáticas assumidas pelo Brasil na COP30.

“O Congresso virou as costas para o país, abriu a porteira e deixou a boiada passar. Não ouviu as manifestações da sociedade civil, das populações vulneráveis, desconsiderou estudos de cientistas e entidades ambientais. Jogou no lixo os principais avanços na legislação ambiental da história do país”, diz um trecho da nota.

O Arayara entende que a lei atinge empreendimentos de médio potencial poluidor, como barragens de rejeitos de mineração. A nova legislação permite que o empresário preencha apenas um formulário online para iniciar a construção de um projeto, desconsidere a análise técnica e o risco de novas tragédias.

O instituto diz que já está se mobilizando para combater a decisão do Congresso na esfera jurídica. E que atuará em conjunto com o partido político PSOL na proposição de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI).

A Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil) afirma que a derrubada dos vetos aumenta a vulnerabilidade dos territórios e biomas já pressionados pela expansão de atividades de alto impacto.

A entidade diz que a decisão do Congresso fragiliza salvaguardas fundamentais que protegem povos indígenas, comunidades tradicionais, rios, florestas e ecossistemas de todo o país.

A nota diz ainda que a REPAM vai acompanhar os desdobramentos da decisão, fortalecer a incidência pública e articular, junto às comunidades e organizações parceiras, caminhos de resistência em todos os territórios amazônicos e brasileiros.

A Conservação Internacional (CI-Brasil) diz que a decisão coloca em risco a natureza, todos que protegem e dependem dela.

“As mudanças propostas pela legislação, previamente vetadas, enfraquecem a proteção dos ecossistemas e colocam sob sério risco os meios de vida de povos originários, quilombolas e comunidades tradicionais, justamente quem mantém a floresta em pé. O Brasil perde segurança hídrica, alimentar e climática, bem como arrisca sua base econômica num momento em que as Soluções Baseadas na Natureza são decisivas para enfrentar as crises do clima e da biodiversidade simultaneamente”, diz Mauricio Bianco, vice-presidente da CI-Brasil.

O Observatório do Clima (OC), rede que reúne 161 integrantes da área socioambiental, afirma que organizações irão à Justiça contra a nova lei. O entendimento é de que ela é "inconstitucional, expõe a risco a saúde e a segurança dos brasileiros, libera a destruição ampla dos nossos ecossistemas e viola as metas climáticas do país". 

“Os dispositivos que retornaram com a derrubada dos vetos colidem com os direitos dos indígenas e quilombolas, dão um cheque em branco para os entes subnacionais fazerem o que quiserem com o licenciamento, restringem o campo da aplicação do licenciamento ambiental e reduzem a responsabilidade das instituições financeiras, entre outros absurdos”, diz Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do OC.

Para a especialista em políticas públicas do Greenpeace Brasil, Gabriela Nepomuceno, a nova lei favorecerá a expulsão e deslocamentos forçados de povos indígenas e comunidades tradicionais, assim como facilitará a emissão de licenças de blocos de petróleo.

“Empreendimentos considerados ‘estratégicos’, como a perfuração de petróleo na Foz do Amazonas, poderão ser aprovados num prazo inexequível, comprometendo qualidade e segurança e potencializando danos socioambientais irreparáveis”, diz.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

11.26.2025

ANVISA APROVA registro de VACINA 100% NACIONAL contra a DENGUE

Imunizante será produzido pelo Butantan e estará disponível no SUS.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou nesta quarta-feira (26) o registro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) da vacina da dengue (Butantan-DV) produzida pelo Instituto Butantan. A intenção é começar a aplicação das doses em 2026, de forma gratuita, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). 

Segundo o Instituto Butantan, já há 1 milhão de unidades da vacina contra a dengue prontas para distribuição. Este é o primeiro imunizante no mundo de apenas uma dose. A estimativa do Butantan é ter disponível mais de 30 milhões de doses em meados de 2026.

“Hoje é um dia de alegria, de vitória da vacina, de vitória da ciência, de vitória da cooperação entre o SUS brasileiro e de suas instituições públicas que estão espalhadas pelo país, entre elas o Instituto Butantan”.

A indicação aprovada é para pessoas na faixa etária de 12 a 59 anos de idade. Este perfil ainda pode ser ampliado no futuro, a depender de novos estudos apresentados pelo fabricante. 

Padilha, ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ressaltou a qualidade da vacina contra a dengue.

“Sabemos já dos dados publicados, sabemos da segurança dessa vacina. Estamos falando de um hat-trick: é uma vacina 100% brasileira, tem capacidade de proteção ampla e é uma dose apenas”.

A nova vacina será integrada ao Programa Nacional de Imunização (PNI). De acordo com o governo, o ministério apresentará a novidade já nesta quinta-feira (27) à Comissão Tripartite, formada por secretários estaduais e municipais de saúde, bem como a estratégia de incorporação.

“Queremos começar a utilização dessa vacina no começo do calendário vacinal de 2026”, revelou o ministro.

Segundo Priscilla Perdicaris, secretária-executiva da Saúde do Estado de São Paulo, em 2025, o Brasil teve 866 mil casos de dengue e 1.108 mortes confirmadas. "Mesmo antes da aprovação, o Butantan correu para produzir 1 milhão de doses, porque sabíamos que eram estudos robustos e que seriam aprovados". Para Perdicaris, há uma importância grande de a Butantan-DV ser em dose únca: "Para nós que estamos na operação, isso muda completamente a história do jogo: facilita a logística e aumenta a adesão da população".

O governador de São Paulo ressaltou a importância do novo imunizante: "ser dose única vai nos ajudar muito do ponto de vista da logística e da cobertura vacinal. Infelizmente ainda perdemos muitas vidas para a dengue e é um cenário que vamos poder reverter rapidamente com uma vacina 100% brasileira".

Leandro Pinheiro Safatle, diretor-presidente da Anvisa, também presente no evento no Instituto Butantan, comemorou a aprovação da nova vacina: "O registro da vacina da dengue é uma fonte de orgulho não só para a Anvisa, mas para o país. Estamos avançando com o registro de uma tecnologia que é desenvolvida e feita nacionalmente pelo Instituto Butantan. Os resultados que serão apresentados em breve são muito bons. O trabalho que foi feito junto com o Butantan pela Anvisa foi fenomenal entre as duas equipes". Safatle lembrou ainda que o desenvolvimento da Butantan-DV teve o apoio do "BNDES e do ministério da Saúde com R$ 130 milhões para a parte da pesquisa de fase 2 e fase 3".

BUTANTAN-DV

A vacina chamada de Butantan-DV, é o primeiro imunizante contra dengue em dose única do mundo.  Ela foi desenvolvida pelo Instituto do Butantan a partir de uma parceria articulada pelo Ministério da Saúde com a empresa chinesa WuXi Vaccines. 

A nova vacina utiliza a tecnologia de vírus vivo atenuado, segura e já utilizada em outros imunizantes em uso no Brasil e no mundo, como a tríplice viral, febre amarela, poliomielite e algumas da gripe.  

De acordo com a avaliação técnica da Anvisa, a Butantan-DV apresentou uma eficácia global de 74,7% contra dengue sintomática na população de 12 a 59 anos. Isso significa que, em 74% dos casos, a doença foi evitada por conta da vacina. 

Também demonstrou 89% de proteção contra as formas graves e com sinais de alarme, conforme publicação na The Lancet Infectious Diseases. 

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

11.25.2025

Moraes manda PRENDER TODOS OS INTEGRANTES DO NÚCLEO 1 DA TRAMA GOLPISTA

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, rejeitou na tarde do dia 25 os embargos apresentados pelas defesas dos condenados do núcleo 1 da trama golpista e determinou o início do cumprimento de todas as penas.

O QUE ACONTECEU

Ontem (24), todas as defesas apresentaram embargos, à exceção das de Jair Bolsonaro (PL) e do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ). As defesas que apresentaram recurso são as de Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, do general Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional, do almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha e dos generais Braga Netto e Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, ex-diretor da Abin.

O Ministro entendeu que embargos das defesas eram protelatórios e seguiu entendimento do STF. Segundo Moraes, há sete anos a corte vem adotando o entendimento de que só é possível entrar com embargos infringentes se houver dois votos pela absolvição do réu na Turma, o que não aconteceu na ação da trama golpista, cujo placar ficou 4 a 1 pela condenação de Garnier.

“Importante ressaltar, que esse entendimento do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no sentido da exigência de 2 (dois) votos absolutórios próprios, é pacífico há mais de 7 (sete) anos, tornando manifesta a inadmissibilidade dos embargos e revelando o caráter meramente protelatório dos infringentes, de maneira a autorizar a decretação imediata do trânsito em julgado, independentemente da publicação do Acórdão, e o imediato cumprimento da decisão condenatória” Alexandre de Moraes em sua decisão.

Decisões serão enviadas para o STM (Superior Tribunal Militar) para analisar a perda de patente de cinco militares. Como Augusto Heleno, Braga Netto, Bolsonaro, Garnier e Paulo Sérgio foram condenados pelo STF por crimes graves, eles podem sofrer um processo de perda de patente na Justiça Militar.

Condenados passarão por audiências de custódia amanhã (26). A audiência ocorre para avaliar a legalidade da prisão e para conferir se os direitos fundamentais foram respeitados e sua integridade física e psicológica preservadas.

O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, foi o primeiro a ter o início da pena decretada. Pelo acordo de delação premiada, ele foi condenado a dois anos de reclusão em regime aberto e começou a cumprir a sentença em outubro.

PENAS A SEREM CUMPRIDAS

Alexandre Ramagem: o deputado deverá cumprir pena de 16 anos e 1 mês de reclusão. Contudo, ele fugiu para os Estados Unidos em setembro.

Almir Garnier: o ex-comandante da Marinha ficará detido na Estação Rádio da Marinha. A pena é de 24 anos, sendo 21 anos e 6 meses de reclusão, com 2 anos e 6 meses de detenção. Trata-se do primeiro ex-comandante da Marinha condenado e preso por tramar contra a democracia desde a redemocratização.

Anderson Torres: o ex-ministro da Justiça cumprirá pena no 19º Batalhão de Polícia Militar, localizado no Complexo Penitenciário da Papuda. A pena é de 24 anos, sendo 21 anos e 6 meses de reclusão, com 2 anos e 6 meses de detenção.

Augusto Heleno: general deverá cumprir a pena no Comando Militar do Planalto. A pena é de 21 anos, sendo 18 anos e 11 onze meses de reclusão, com 2 anos e 1 mês de detenção.

Braga Netto: o general continuará preso na 1ª Divisão do Exército, no Rio. Ele está sob custódia do Exército desde dezembro de 2024. O general deverá cumprir os 26 anos de condenação em regime fechado — sendo 23 anos e 6 meses de reclusão, com 2 anos e 6 meses de detenção.

Paulo Sérgio Nogueira: assim como Heleno, Paulo Sérgio Nogueira cumprirá pena no Comando Militar do Planalto. Ele deverá cumprir os 19 anos de condenação em regime fechado — sendo 16 anos e 11 meses de reclusão, com 2 anos e 1 mês de detenção.

Fonte: noticias.uol.com.br/politica

Governador Elmano de Freitas cita PONTOS POSITIVOS do Projeto de Lei ANTIFACÇÃO aprovado Câmara que pode ajudar o Ceará

O governador está no centro do debate sobre segurança pública e deve ser ouvido pela CPI do Crime Organizado no Senado.

A criação de novos tipos penais e de regras mais simples para a progressão de pena são citadas pelo governador Elmano de Freitas (PT) como pontos positivos do chamado PL Antifacção, aprovado na Câmara dos Deputados na última semana. Ele comentou, nessa segunda-feira (24), os reflexos da matéria em discussão, em viagem a Brasília.

“Se o sujeito de facção ameaça um comerciante ou uma pessoa para sair de casa, hoje, eu tenho que fazer uma combinação do crime de ameaça (para acionar as autoridades), que só pode ir para a frente se a vítima denunciar. Evidentemente, muitas vezes, as pessoas têm medo de denunciar e receber represália do crime organizado. (com esse projeto), a polícia não precisa que alguém faça a denúncia para poder agir de imediato e prender o sujeito” Elmano de Freitas (PT) Governador do Ceará.

A elevação da pena para casos como esse também dificulta medidas restritivas e encaminha com maior facilidade os infratores ao regime fechado, aponta o governador. "A lei (em discussão) permite que essas pessoas possam permanecer presas. Vamos precisar muito da colaboração do Ministério Público e do Judiciário, não se derrota o crime organizado apenas com as forças de segurança", complementou.

Paralelamente, como nome à frente de um dos estados mais afetados pela dinâmica das facções criminosas, Elmano deve ser ouvido pela CPI do Crime Organizado no Senado. Segundo Fabiano Contarato (PT-ES), presidente da comissão, as oitivas devem ser realizadas em dezembro. 

"Temos todo o interesse de discutir com o parlamento brasileiro, até porque boa parte do problema que enfrentamos nos estados é de legislação frouxa para enfrentar o crime organizado. A lei que temos hoje diz que, quando a pena for inferior a 4 anos, a indicação é que se aplique medida restritiva, com tornozeleira eletrônica e prisão domiciliar, mas essa pessoa tem que ficar é presa em regime fechado para não voltar e fazer ameaça ao cidadão", afirmou.

PROJETO DE LEI ANTIFACÇÃO

O projeto foi aprovado na Câmara dos Deputados no último dia 18 e encaminhado ao Senado, onde passará por nova rodada de análise. Caso haja alterações na Casa Alta, o texto volta para a Câmara antes de ir à sanção.

O texto cria e detalha novas condutas ligadas à atuação de facções e milícias, incluindo o chamado “domínio social estruturado”, que passa a ter pena prevista de 20 a 40 anos de reclusão. Quem contribuir para esse domínio poderá cumprir entre 12 e 20 anos.

A proposta também abre caminho para a apreensão antecipada de bens de investigados, permitindo inclusive o perdimento antes do fim do processo em certas situações — uma mudança considerada dura por parte dos parlamentares.

Além disso, o projeto determina a criação de novas estratégias de combate às facções. Um dos novos instrumentos pensados é a criação de um banco de dados com a identificação de todos os grupos no Brasil.

Escrito por: Ingrid Campos, Flávio Rabelo produçãodiario@vm.com.br

Fonte: https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/pontopoder

11.24.2025

O que acontece APÓS O STF MANTER A PRISÃO PREVENTIVA de Bolsonaro?

Último voto foi da ministra Cármen Lúcia. Além dela, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin votaram para confirmar prisão preventiva. O placar terminou em 4 a 0.

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, manter a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, decretada após violação da tornozeleira eletrônica. O julgamento extraordinário aconteceu nesta segunda-feira (24) no plenário virtual da Primeira Turma do STF.

O QUE ACONTECE AGORA?

Bolsonaro deve continuar preso cautelarmente até o final dos recursos na ação penal da trama golpista, em que foi condenado a 27 anos e três meses. 

Quando o processo da tentativa de golpe chegar ao fim, o que deve acontecer nos próximos dias, a prisão preventiva será substituída pela execução da pena, ou seja, o ex-presidente não deve voltar para casa durante o processamento dos recursos e tende a permanecer preso em regime fechado para começar a cumprir a condenação.

Ao decretar a prisão, Moraes considerou que Bolsonaro violou o equipamento porque pretendia fugir. O ex-presidente está detido em uma sala de Estado na sede da Polícia Federal em Brasília. O espaço de 12 metros quadrados, com televisão e frigobar, é reservado a autoridades.

O QUE DIZ A DEFESA?

A defesa do ex-presidente defendeu, em manifestação ao Supremo Tribunal Federal (STF) que, mesmo queimando a tornozeleira, Jair Bolsonaro não retirou o equipamento. 

Além disso, reforçou o que havia sido dito pelo ex-presidente em audiência de custódia, apontando "efeitos colaterais em razão das diferentes medicações prescritas". Segundo a defesa, isso levou a "pensamentos persecutórios e distantes da realidade".

Para os advogados de Bolsonaro, Celso Vilardi, Paulo Amador da Cunha Bueno e Daniel Tesser, o ex-presidente não tentou fugir: "Nada, na ação descrita nos documentos produzidos pela SEAP (Secretaria de Estado de Administração Penitenciária), narra uma tentativa de fuga ou de desligamento da tornozeleira eletrônica. Muito pelo contrário, expõe um comportamento ilógico e que pode ser explicado pelo possível quadro de confusão mental causado pelos medicamentos ingeridos por Bolsonaro, sua idade avançada e o estresse a que está inequivocamente submetido", afirmam os advogados.

Fonte: https://www.band.com.br/noticias

OPINIÃO: Será que só existe o TEMPO CRONOLÓGICO?

Talvez você já tenha ouvido falar na diferença entre chronos e kairós, duas noções de tempo que têm origem na mitologia e na filosofia gregas. Chronos seria o tempo cronológico, linear e mensurável; e Kairós seria o tempo das coisas, dos acontecimentos, da experiência, o tempo giusto, que inspirou os italianos a serem os precursores do movimento slow.

O tempo tal qual conhecemos e que regula nossos contratos de tempo no cotidiano é o tempo cronológico. Aquele que medimos no relógio, que compartimentamos para organizar as atividades na agenda, que serve para reger aquilo que fazemos em grupo e coisas que demandam que marquemos horários comuns.

É esta compreensão do tempo que está na origem da ideia de que ele é mensurável, manejável e gerenciável: o tempo como um recurso.

Mas esta não é a única ideia de tempo que existe. É apenas a que convencionamos adotar, porque ela atende ao que interessa que façamos no tempo. Se o tempo é recurso gerenciável, ele pode estar “a serviço” do trabalho, do consumo e da vida digital, que são os motores da vida acelerada que levamos.

Se o tempo é um recurso, ele pode ser "organizado" e essa ideia está na base de mitos cronomeritocráticos, de que todos temos as mesmas 24 horas, então, somos capazes de realizar qualquer coisa. Basta se organizar.

Também é este tempo que rege a ideia da crononormatividade, estudada pela pesquisadora estadunidense Elizabeth Freeman. A noção dá conta de definir as convenções sociais sobre o tempo que terminam normalizando e normatizando ideais como ser alfabetizado até os 7 anos; casar até os 30; ter filhos até os 35; ser "bem-sucedido" (seja lá o que isso for) aos 40. E assim por diante.

“Pois esta forma de entender o tempo não é a única que existe. Existem outras maneiras de compreender e viver o tempo entre os povos tradicionais, os povos originários, os povos indígenas, os povos africanos, os povos do sul global”.

De forma bem resumida e correndo o risco de ser imprecisa, para estas outras compreensões (ou cosmovisões), o tempo não é apenas —como diria o filósofo Ailton Krenak— uma flecha que aponta para a frente. O movimento do tempo pode ser cíclico, circular ou espiralar. Na natureza, a temporalidade do tempo é simultânea e sequencial ao mesmo tempo.

E estas formas de compreender o tempo em outras dimensões nos ajudam a entender porque o tempo ocidental, ocidentalizado e ocidentalizante é o tempo que convencionamos adotar. Apenas o tempo cronológico pode ser "útil".

O tempo não cronológico está aí para ser, para se desfrutar, para se estar. Tudo que, neste mundo, é visto como "inútil", pois não está a serviço da cultura da produtividade, do consumo e das tecnologias.

Este tempo cronológico é um tempo que acelera, porque está a serviço deste projeto (trabalho, consumo e tecnologias) e coloniza o presente (sequestrando a nossa capacidade de atenção); coloniza o passado (capturando a nossa memória); e coloniza o futuro e a capacidade de imaginá-lo (pois nos atira ao excesso de presente do automático e do "modo sobrevivência").

Mas esta não é a única ideia de tempo que existe e desacelerar passa, portanto, por entendermos que o tempo cronológico está a serviço do mundo acelerado. Para desacelerar, precisamos nos inspirar em outras formas de entender, viver e ser o tempo.

Michelle PrazeresColunista de VivaBem

Fonte: uol.com.br/vivabem/colunas/michelle-prazeres

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